Os Políticos somos nós!…

Se votar é um direito… a exigência sobre os eleitos é um dever a que não podemos renunciar…

Desde 2015, que vivo, e trabalho, fora do meu país… que vivo, e trabalho, num ambiente internacional… que faço equipa com pessoas vindas das mais variadas geografias… que convivo, diariamente, com as mais variadas culturas e formas de pensar!

Esta tem sido uma experiência fenomenal! Nunca pensei ser possível aprender tanto, todos os dias… 

É incrível como em 5 anos, não apenas me tornei num profissional mais capacitado… como, também, numa pessoa mais completa e com muito mais para devolver à sociedade!

Mas, de entre o muito que aprendi com esta experiência, hoje gostaria de me centrar no facto de me ter feito ainda mais convicto, sobre o potencial de Portugal e sobre a qualidade dos Portugueses!

É verdade… Durante estes 5 anos tenho trabalhado com algumas das pessoas mais brilhantes que conheci… Mas tenho tido, também, a oportunidade de verificar como nós, Portugueses, somos capazes de competir entre os melhores… e de nos afirmarmos como líderes e como “potenciadores de diversidade” ao actuar como “construtores de pontes” entre diferentes culturas e sensibilidades. 

Pensando bem, isto não me devia admirar… afinal somos o povo herdeiro daqueles que se aventuraram nos mares para “dar novos mundos ao mundo”. O mesmo povo que, hoje, se espalha para além das suas fronteiras nos mais de 2,3 milhões de emigrantes, e muitos mais luso-descendentes, espalhados pelos quatro cantos da terra. 

Mas se temos um povo especial… temos, também, dos melhores locais do mundo para se viver… São incontáveis as pessoas que conheço que, pedindo conselhos, me manifestam o desejo de irem viver para o meu país no dia em que se reformarem!

Acredito, assim, que Portugal tem um enorme potencial para explorar… No entanto, para concretizar este potencial, é necessário que sejamos mais responsáveis enquanto cidadãos e mais exigentes com quem nos governa.

E é este o ponto central do texto de hoje… Que temos de exigir mais a quem nos governa… 

Às vezes, do meu sofá, assisto a políticos discursarem sobre resultados, manifestamente, pobres como se de grandes vitórias se tratassem… e pergunto-me… quem será que eles querem enganar?…

Porque será que não nos explicam como não foram capazes de evitar que, não apenas continuemos na cauda da europa como ainda, tenhamos piorado de forma substancial ao longo dos últimos anos?

Figura 1: Posição de Portugal no ranking de PIB per capita PPS na Europa a 28*

Como será que ninguém lhes pede explicações por terem deixado que países como a Eslovénia, a Estónia e a Lituânia nos tenham ultrapassado?… Como ninguém pergunta como foi possível que a República Checa, que em 2007 estava 3 lugares abaixo de nós, se encontre agora 6 posições acima?

Às vezes do meu sofá… vejo os meus compatriotas a dividirem-se em dois grupos conforme a sua posição sobre a política e os políticos: 

  • O grupo 1 acha que todos os políticos são maus, que todos são desonestos e apenas lá estão para se servirem a si e às suas clientelas… 
  • O grupo 2 acha o mesmo… mas apenas dos políticos que não são da sua cor… Os do seu partido não!… esses são sérios… e quando não o são é apenas por ser a única forma de lidar contra os bandidos dos outros partidos!

E, do mesmo sofá, penso que assim não vamos lá… Na verdade, não me parece que nenhum destes grupos contribua, de facto, para a elevação da nossa classe política…

Os primeiros, porque ao normalizarem uma expectiva tão baixa, se desligam de qualquer análise critica factual que permita uma verdadeira cultura de exigência… Os segundos, porque se demitem de fazer uma avaliação objectiva do desempenho dos actores políticos, em troca de uma espécie de “jogo da bola”, em que o que importa é ganhar, nem que seja com um penalti roubado…

Bem sei que os sucessivos episódios em que políticos, com algum relevo, são apanhados em processos de corrupção, vêm intensificar esta sensação de desconfiança e este afastamento… 

Mas acredito que, estes mesmos episódios, deveriam ser, em vez de motivo de afastamento, uma razão para que tomássemos a nossa responsabilidade de eleitores ainda mais a sério… Que, compreendêssemos que, “não querer saber” não é opção… Que é esse “não querer saber” que leva à política quem não serve para servir os eleitores… 

Se, ao contrário… os portugueses começarem a fazer as perguntas que interessam… se pedirem mais… se exigirem resultados… se valorizarem o seu voto… Se não se conformarem em viver num país com um enorme potencial mas incapaz de o realizar… pode ser que, quem nos governa, se preocupe um pouco mais em melhorar o estado em que vivemos…

O voto não é, nem pode ser… uma ola mexicana num estádio de futebol… O voto não é, nem pode ser… a discussão acalorada com os amigos na tasca do bairro!

Se o voto é a essência da democracia… Então os “políticos somos nós”! 

E, se votar é um direito… a exigência sobre os eleitos é um dever a que não podemos continuar a renunciar…

https://www.pordata.pt/DB/Europa/Ambiente+de+Consulta/Tabela

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Publicado por Hugo Barbosa

Empenhado em deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrei!

4 opiniões sobre “Os Políticos somos nós!…

  1. Voto sempre! Nunca deixo ao acaso esse direito/ dever que me assiste. Nem sempre tenho sorte… por isso, se chama democracia.
    Confesso que, neste momento, estou num completo descontentamento com o panorama político português. Sou e sempre fui de direita – para ser mais precisa, de centro direita. Nunca fui de extremismos… e agora surge a pergunta para um milhão de euros: como votar neste momento em que os partidos se aliam sem dó nem piedade aos extremos? Como confiar o voto a gente sem escrúpulos?
    Não condeno quem não quer saber…
    Sinto uma total e completa impotência no acto de votar.

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    1. Olá Joana! Que bom ter o teu comentário aqui no blog… Entendo perfeitamente o teu descontentamento… Mas entendo também que, esse mesmo descontentamento, deve ser motivo de maior participação e não de afastamento! Não podemos permitir que os moderados sejam os primeiros a desmobilizar deixando caminho livre para os extremos e os populistas! Beijinhos

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  2. Olá Hugo, confesso que faço parte do primeiro grupo, assim como por uma vez não cumpri o meu dever de eleitor devido ao descontentamento que abordas no tema.
    Mas tal como tinhamos conversado num outro tema, este descontentamente apenas serve para trazer à política o lado mais “nefasto”. Serve apenas o interesse dos partidos mais relevantes no panorama, não só nacional, mas mundial. E foi também este o motivo que me fez concluir que mesmo assim devemos contribuir para o país por via das eleições, reforçando a nossa posição. Grão a grão enche a galinha o papo, e é preciso resiliência de um povo inteiro para dar a volta e conseguirmos explorar o potencial que todo o mundo nos reconhece em praticamente todos os quadrantes.
    Neste momento sou um dos que acredita que vamos alcançar novamente lugares cimeiros na competitividade e resultados realmente vitoriosos (e não dos que servem para se vangloriarem por feitos sem constância), mas será um caminho feito passo a passo e ainda longo!

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