Polarização Política: quando os centros se afastam e os extremos se tocam!

Hoje volto ao tema da política nacional, para vos falar do que me parece ser uma crescente polarização Esquerda/Direita que, na minha opinião, não é benéfica á nossa sociedade em sob vários pontos de vista…

Não que não seja normal existirem diferentes pontos de vista sobre o modo de organizar a nossa sociedade e economia… pelo contrário, a coexistência de pontos de vista diferentes enriquece a discussão política e contribui para que nos aproximemos de melhores decisões…

No entanto, quando estes pontos de vista se polarizam demasiado… eles perdem a capacidade de dialogar entre si… e centram a disputa política numa espécie de “competição por estar certo” descentrando-a de onde nunca deveria deixar de estar centrada: no bem-estar das pessoas!…

Muitos pensam que a causa desta polarização é a proliferação de tantas propostas populistas um pouco por todo o mundo… Muitos culpam Le Pen, Salvini, Trump, Bolsonaro ou Ventura… culpam os seus discursos primários e fáceis… culpam as suas propostas xenófobas e securitárias!…  Ao contrário deles… eu penso que estes novos fenómenos, apesar de preocupantes e inaceitáveis, não são os culpados desta polarização!… Ao contrário… na minha opinião eles são um resultado da mesma!…

Na verdade, ao centrarem o debate em “soundbites” ideológicos… ao centrarem a sua preocupação em mostrar o quão mau é o outro lado do hemiciclo!… Os partidos moderados acabaram por deixar o caminho livre para que estes discursos, assentes em preconceitos que, convenhamos, estão enraizados na nossa sociedade, seduzissem aqueles que se sentem abandonados pelo sistema!…

Durante décadas, Portugal esteve mais ou menos imune a estas propostas já que o poder se alternava entre duas propostas moderadas do centro político… com uma certa preponderância do centro esquerda… o exercício do poder ia sendo pontuado pela alternância com o centro direita!… Duas propostas corporizadas, em grande medida, pelos grandes partidos democráticos, europeístas e atlantistas!… Duas propostas que gravitam nas fronteiras entre o socialismo democrático, a social-democracia e a democracia cristã… 

Duas propostas que, apesar de diferentes, estavam suficientemente próximas para que os entendimentos fossem possíveis no seu meio!… Entendimentos esses, que exigiam, a cada um dos lados deste “centro”, capacidade de cedência… num equilíbrio, nem sempre fácil, mas que, de uma forma ou de outra, assegurou o desenvolvimento assinalável a que assistimos em Portugal, sobretudo depois da integração na União Europeia!

Mas afinal porque mudou o cenário político em Portugal? Porque se afastaram os centros polarizando o combate? Quem são os culpados?…

Sinceramente será difícil responder com rigor a estas perguntas!… Pelo menos será difícil para um mero observador político como eu!… 

Mas, assim mesmo, gostava de deixar algumas pistas que creio poderem contribuir não apenas para uma maior compreensão do fenómeno, como também para que cada um de nós possa, através das nossas escolhas e de uma maior exigência para com os vários actores políticos, ajudar a combater esta radicalização que ameaça o nosso sistema democrático!…

Assim, abordarei esta minha reflexão olhando para os dois lados do centro político… primeiro analisando a esquerda e depois apontando á direita…

A esquerda pensa ter descoberto a fórmula para manter a direita fora do poder… Para o fazer o PS inventou uma nova geometria política na qual se entende com os partidos á sua esquerda… partidos, esses, muito mais distantes do seu ideário político do que o é o PSD… mas que, pensa, lhe asseguram o adeus à alternância com que teve de conviver todos estes anos de democracia.

Por outro lado, o PCP e o Bloco, encontraram uma forma de encostar o PS à esquerda forçando-o a tomar opções que, muito provavelmente, sozinho não tomaria!… Assim como pensam ter conseguido evitar o convívio com governos liderados pelo PSD!

E isto é tanto assim, que alguns destes protagonistas não se pejam de o afirmar com alguma soberba!… Como quando o ministro Pedro Nuno Santos disse que o PS não precisaria mais do PSD1 para governar… ou quando a candidata à presidência da república, Marisa Matias, diz, num debate televisivo, que a direita não voltará a chegar ao poder nos próximos tempos…

Assim que, entrincheirada numa posição que crê ser de perpetuação de poder, esta esquerda, adoptou um discurso que apresenta tudo o que se situa fora do seu espectro, como sendo inimigo da liberdade e da democracia!… Ora eles são os inimigos do SNS… ou os adversários da escola publica… ou mesmo os fantasmas neo-liberais… etc, etc, etc…

Como se a democracia fosse um exclusivo da esquerda!… 

Como se toda a esquerda fosse democrática!

Por seu lado a direita, ao sentir-se afastada do poder tem procurado afirmar a sua posição de duas formas que me parecem profundamente erradas… 

A primeira é forjada no principio “cá se fazem, cá se pagam”… e corresponde á estratégia do PSD nos açores onde não resistiu ao apelo de poder através da venda, de parte, da sua alma ao diabo!… Com isto o PSD pode conseguir governar nos açores… mas afastou o eleitorado moderado no continente…  Com isto o PSD pode ter conquistado o poder na região… mas afastou-se ainda mais dele no pais…

A segunda baseia-se na convicção de que, para combater a esquerda, a direita precisa de discordar de tudo o que a esquerda diz… e assim…

Se a esquerda defende o SNS… a direita tem de ser contra o SNS!… Se a esquerda gosta do RSI… a direita tem de achar que o RSI é para malandros!… Se a esquerda defende os trabalhadores… a direita tem de defender os patrões!… Se a esquerda quer subir o salário mínimo… a direita tem de achar que isso é um ataque á produtividade das nossas empresas!…

Ao actuar desta forma, esta direita, não apenas deixa que seja a esquerda a marcar a sua agenda… como, sobretudo, deixa que a esquerda se apodere do monopólio das preocupações sociais!

E este é o seu maior erro… Para se constituir como alternativa a direita moderada… tem de ser capaz de mostrar que, tendo uma visão diferente do que tem a esquerda sobre a economia e a sociedade… tem, também, nesta sua visão as mesmas preocupações de integração e justiça social, que a esquerda trata como coutada sua!…

Para se constituir como alternativa, esta direita precisa de mostrar que a sua proposta não cuida apenas da economia, mas cuida também das pessoas e, sobretudo, não deixa ninguém para trás!

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#PoliticaPortugal; #ActualidadePolitica; #SociedadePortugal; #DemocraciaParticipativa; #EsquerdaDireita

  1. https://observador.pt/2017/01/20/pedro-nuno-santos-ps-nao-precisa-nunca-mais-da-direita-para-governar/
  2. https://www.rtp.pt/noticias/politica/marisa-matias-e-tiago-mayan-trocam-argumentos-sobre-direita-e-poder_v1288338

Publicado por Hugo Barbosa

Empenhado em deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrei!

2 opiniões sobre “Polarização Política: quando os centros se afastam e os extremos se tocam!

  1. …. como já disse algumas vezes … Esquerda e Direita são conceitos que os políticos inventaram para nos impedir de ir …. EM FRENTE !!!! Esta nossa democracia, peço desculpa, “partido-cracia”, está apodrecida pelo compadrio, corrupção e incompetência sistémicas. Não foi Einstein que disse que ter um determinado comportamento sistemático e esperar resultados diferentes, é a própria de definição de loucura ???
    Qual é a opção? Não sei. Mesmo.

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