O paradoxo da “Marca Portugal” … porque os estrangeiros querem viver cá dentro mas deixar o seu dinheiro lá fora!

Em textos anteriores já tive oportunidade de vos falar sobre as muitas oportunidades de crescimento pessoal que a experiência de viver fora do nosso país nos proporciona!

Na verdade, a possibilidade de viver numa sociedade distinta da nossa, de conviver com diferentes sensibilidades, de trabalhar com culturas que desconhecemos, abre-nos os horizontes para realidades que antes não imaginávamos…

https://unsplash.com (See credits in final notes)

Sobre isto mesmo já escrevi um par de vezes e hoje não me queria repetir!… No entanto, começo por aqui este texto, porque queria abordar um ângulo deste crescimento que não abordei nos textos anteriores…

Talvez mesmo, o ângulo que mais me surpreendeu nesta minha experiência: a consciência de que, viver fora de Portugal me iria fazer conhecer melhor o meu país, os seus problemas e as suas potencialidades.

Estranho?

Pois acredito!… 

Mas é a mais pura das verdades!… E existem, basicamente, 3 motivos para isto:

  • O primeiro é a perspectiva

Viver fora de Portugal deu-me uma certa distancia em relação ao dia-a-dia do meu país!… 

Não uma distancia de desinteresse ou de falta de informação… pois continuei a acompanhar os acontecimentos e noticias de forma diária…mas sim uma distância de quem acompanha, e se interessa, mas não vive estas noticias e acontecimentos de forma pessoal e imediata… assim como se estivesse a assistir, e a vibrar, com um jogo sem tomar parte directa no mesmo! 

Ora esta distância… com o tempo… foi-me mostrando coisas que quando estava perto não via… perguntas que quando “estava no jogo” não tinha… e respostas que na vivência imediata das nossas realidades não era capaz de encontrar!  

  • O segundo é a comparação 

É inevitável que… ao morar fora… e mais ainda se este “fora” acaba por se multiplicar por mais que um sítio… comparemos as realidades que conhecíamos em Portugal com as que vivemos no novo país que nos acolhe…

Não… não se trata do velho estigma de querer ensinar os portugueses de que deviam ser como os outros!… Mas ao viver soluções distintas para realidades parecidas… acabamos por perceber que muito do que nos parecia mau, quando vivíamos na nossa terra, é afinal muito melhor do que temos hoje em terra alheia… assim como o inverso pode ser verdade para muitas outras situações!

  • O terceiro é a Escuta

Sim, a escuta!… 

Morar no estrangeiro… conviver com pessoas de outras nacionalidades… dá-nos a oportunidade de conhecer a forma como cada uma destas culturas olha para Portugal…

Conhecer Portugal pelos olhos dos estrangeiros, é isso!…

Saber o que pensam de nós… das nossas cidades… das nossas gentes… das nossas comidas… das nossas praias…

Perceber porque nos invejam em muito daquilo que por vezes desvalorizamos… 

Surpreender-me com o suíço que tem casa no Porto onde, diz, querer viver daqui a uns anos… ou com o espanhol que sonha mudar-se para costa alentejana… ou ainda com o norte-americano que me conta que planeia a sua reforma entre a sua propriedade de família na Califórnia e a casa que pretende comprar em Cascais!… 

Já tive tanto de Portugal desde os olhos destes e de outros estrangeiros que, muitas vezes, me debato com este paradoxo de sermos tão atrativos… ter tanta gente a querer viver cá… e ao mesmo tempo termos tanta dificuldade em atrair investimento de qualidade no nosso país?

Porque este é, verdadeiramente, um dos nossos problemas…

O problema da marca Portugal!…

Um problema de que muitos falam e… sinceramente, poucos acertam!…

Oiço falar em campanhas de comunicação… em “vender Portugal”!… Oiço falar na qualidade dos nossos produtos… na excelência das nossas universidades!…

Portugal tem tudo isto… Por isso tantos nos procuram para cá viver… 

E todos são pontos importantíssimos… mas nenhum ataca os motivos que afastam aqueles que tem de decidir se trazem o seu dinheiro para este “retângulo á beira mar plantado” ou para qualquer outro ponto do Globo… 

De pouco adianta tentar “vender um peixe”… se o comprador desconfia “das aguas por onde esse peixe andou”!…

Assim, que o tema da Marca Portugal não se soluciona pela promoção da mesma… mas sim por algo muito mais estrutural!… É preciso torná-la atractiva… é preciso que os investidores sintam que vale a pena investir aqui!…

Para isso precisamos de 3 coisas fundamentais:

  • Definir o que queremos:

Precisamos de definir que marca queremos projectar… Que investimento queremos atrair…

Queremos atrair investimento que construa emprego de qualidade, qualificado e bem pago?…  

Queremos atrair investimento que se fixe no medio longo prazo… com infraestruturas físicas como unidades de produção, laboratórios de I&D, cadeias de distribuição e outras?… 

  • Atrair o investimento que definimos como desejável:

Para atrair investidores que nos ofereçam o que queremos, precisamos de lhes oferecer boas condições de entrada… baixando o nível de burocracia, simplificando os processos e baixando os custos de contexto!… 

Precisamos de lhes assegurar uma política, fiscal e não só, com estabilidade e previsibilidade, acabando com os zig-zags habituais de cada vez que uma certa área politica se resolve zangar com o “Grande capital”. 

  • Fixar os investimentos que atraímos: 

Alguns políticos pensam que se fixam os investidores estrangeiros obrigando-os a ficar! Uma tolice, claro está!… Nada impedirá nenhuma empresa de deixar Portugal a não ser uma vantagem clara em ficar por cá…

Assim, a fixação do investimento deve ser feita com base nisto mesmo!… E para isso precisamos focar os nossos esforços onde temos essa diferenciação… esta vantagem…

Deste modo, teremos de saber quais são as nossas vantagens competitivas? Em que áreas temos algo, know-how, matéria-prima, localização, clima, ou outra… que constitua uma vantagem de fixação desses negócios?… E focar aqui…

Não podemos travar todas as batalhas… não podemos competir por investimento em todos os sectores… foquemos pois, nos sectores, ou nos clusters, onde temos algo mais difícil de copiar e teremos o investimento de longo prazo que precisamos!

A isto chama-se ter uma estratégia… Saber onde estamos… para onde vamos e… acrescento eu… como segurar a nossa posição uma vez lá chegados!

Não… não se trata de um plano económico validado e suportado por evidencia científica… trata-se sim de uma opinião… uma opinião forjada na minha experiência em estratégia… uma opinião forjada na convicção de que é na estratégia e no planeamento que reside o segredo para o futuro de Portugal!… Esta é a minha opinião… e a tua, qual é?

Gostou do que leu? Então, ajude-me a crescer seguindo este Blog e partilhando nas redes sociais!

#PoliticaPortugal; #ActualidadePolitica; #SociedadePortugal; #DemocraciaParticipativa

Photo Credits:

Photo by Lucy Claire on Unsplash

Photo by Vitor Pinto on Unsplash

Photo by Everaldo Coelho on Unsplash

Photo by Richard de Ruijter on Unsplash

Photo by Jason Briscoe on Unsplash

Publicado por Hugo Barbosa

Empenhado em deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrei!

4 opiniões sobre “O paradoxo da “Marca Portugal” … porque os estrangeiros querem viver cá dentro mas deixar o seu dinheiro lá fora!

  1. Olá Hugo. Totalmente de acordo contigo. Desde essa mesma perspectiva (como emigrante) não parece existir um roadmap estratégico claro e definido de quais são os investimentos que queremos fomentar e principalmente que queremos manter de forma sustentável em Portugal. Por outro lado, acho que as embaixadas Portuguesas não promovem nem contribuem activamente para desenvolver a marca “Portugal” a través dos seus emigrantes. A Diáspora Portuguesa existe no papel mas não se “trabalha” nem se dá a conhecer…

    Gostar

  2. Olá Hugo, acho que conseguiste tocar em todos os pontos essenciais.
    Tens em V.N. Famalicão (Made In) um excelente exemplo do que se pode fazer bem para comunicar o que melhor se faz, as qualidades, os recursos, a tecnologia. E que bons resultados tem trazido para a economia local e também nacional. Em várias zonas do país há já esses movimentos (são poucos, mas começamos por algum lado), mas como dizes ainda falta muito caminho, muita desburocratização e desligar o “complicómetro” existente nos processos de entrada e captação. Isto, porque vontade de investir existe, mas a dificuldade no acesso é um entrave.

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: