Autor Convidado: Alexandre Tavares

Conselho da Diáspora – ajudar Portugal!

Os meus pais nasceram em Cabo-Verde. Eu nasci em Angola. Quando tinha 3 anos a família veio para Lisboa na sequência do conflito armado existente em Angola. Uma nova vida se iniciava para mim, os meus pais e 5 irmãos. 

Desde criança que percebi o que era viver numa matriz multicultural. Em casa as memórias, a gastronomia ou a música confundiam-se entre Africa e Portugal. Dois mundos opostos, mas que se aproximavam, complementavam sem se questionar qual era o melhor. A diversidade unia a família, os novos amigos e a aprendizagem era constante.

Cresci a admirar Portugal e a ter um orgulho enorme em ser Português. Adoro a riqueza e complexidade da nossa língua. Estou a viver no estrangeiro há alguns anos e relembro com altivez aos meus colegas o papel determinante de Portugal em delinear o mapa do mundo e a coragem dos seus navegadores. Vibrei com a inauguração da Expo 98 e a entrada de Portugal na União Europeia, e celebro todos sucessos da seleção ou do Benfica como se estivesse no Marquês de Pombal. Com quem me cruzo por este mundo fora saliento que Portugal é bem maior do que parece. Este pequeno país, no extremo da Europa, não se resume (e como se fosse pouco!) a bom clima, futebol, fado e bacalhau. Temos excelentes empresas, inovação, ensino de qualidade, cientistas de renome internacional, somos versáteis e nem (sempre) chegamos atrasados às reuniões! 

Mas o que a minha experiência de vida tem a ver com o tema da crónica – O Conselho da Diáspora?

A curiosidade e o respeito por diferentes culturas é algo que faz parte do meu DNA. Aprendi que temos mais hipóteses de vencer se tivermos uma atitude aberta, colaborativa, inclusiva e de partilha. Assim, quando em 2018 integrei o Conselho da Diáspora, a convite de sua Exa o Presidente da República, e do Presidente do Conselho da Diáspora fiquei obviamente orgulhoso pela deferência, mas igualmente consciente que elevar o nome de Portugal no estrangeiro era de certa forma uma continuação das minhas próprias vivências e trajeto de vida. Representar, valorizar, empreender e colaborar para ter sucesso.

Mas o que é o Conselho da Diáspora? 5 milhões de portugueses e lusodescendentes estão espalhados pelo Mundo. Isto representa aproximadamente 50% dos cidadãos em Portugal, núme­ro desproporcio­nal aos 3% da média da diáspora mun­dial. O Conselho da Diáspora é uma organização sem fins lucrativos, apolítico, que reúne cerca de 95 Portugueses que vivem no estrangeiro e que se disponibilizam de forma desinteressada a melhorar a imagem e credibilidade de Portugal por via da influência que cada um tem nos países onde reside. Na prática, os Conselheiros através do seu meio profissional incentivam ao investimento em Portugal e procuram proporcionar aos portugueses “de dentro” oportunidades para expandir as suas atividades em áreas tão diversas como economia, ciência, educação ou cultura. Somos assim “embaixadores” de Portugal pela influência.

Desde 2012 que o papel do Conselho da Diáspora tem vindo a ser cada vez mais relevante na agenda nacional e junto dos diversos governos, como instrumento de colaboração com Portugal trazendo novas ideias e propostas de soluções para os problemas existentes.  

Realço a criação do Centro de Biotecnologia e Química Fina na Universidade Católica do Porto que resultou de uma aposta da multinacional americana Amyris, liderada por um Conselheiro, ou vários temas que trouxemos para debate com a sociedade civil como: Liderança e Diversidade, Cibersegurança, Gerir na Era Digital, Diplomacia Cultural e o Papel da Diáspora, Competências para o século XXI, Portugal como Nearshoring Go-To-Country, Inovação na Indústria Audiovisual em Portugal, Prevenção da Doença e Promoção da Saúde ou Mobilidade Inteligente numa Economia Verde, o posicionamento de Portugal para manter ou melhorar os bons índices de competitividade, entre outros. Outro exemplo simples e prático que gostaria de referir foi a partilha com o Presidente da República, de “best practices” na intervenção ao COVID-19 em cada país onde vive um Conselheiro. 

Na procura de estreitar as relações entre a Europa e África, desde 2018 que o Conselho promove um fórum denominado por EurAfrican. Aqui pretendemos que Portugal e a Europa concorram com a China como parceiros privilegiados em África aproveitando a proximidade de Portugal com as ex-colónias e por sermos considerados um país amigo. O Conselho da Diáspora é assim uma realidade indiscutível, sendo reconhecido como Organização Não-Governamental para o Desenvolvimento (ONGD) pelo Estado Português. 

Pelo referido acima sinto-me cada vez mais ligado à missão do Conselho da Diáspora. Vivemos num mundo global, onde mobilidade substituiu a emigração. E quando se fala da preo­cupação dos migrantes e o fechar de fronteiras reflito nas oportunidades que Portugal ofereceu a uma família que veio de África em processo de descolonização, com poucos meios de subsistência.   

Assim, vou continuar a contribuir com muita paixão para a afirmação univer­sal dos valores, reputação e cultura portuguesa, bem como, a elevação e reforço na criação de oportunidades para que outros portugueses sejam bem-sucedidos. Este é o propósito do Conselho. Este é o meu propósito de vida. 

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#DiasporaPortuguesa; #Conselhodadiaspora #SociedadePortugal; #AjudarPortugal

Publicado por Hugo Barbosa

Empenhado em deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrei!

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