Autor Convidado: Manuela Vale

BULLYING

A nossa perceção dos problemas, na maioria das vezes, só surge quando estes atingem um grau elevado de gravidade que rasga algumas das capas que os cobrem, deixando exposto um pouco da superfície.

Tentamos, a todo o custo, criar a ilusão de que os problemas surgem de forma espontânea, numa tentativa de nos libertarmos das nossas responsabilidades, tanto nas causas como nas soluções. 

O problema do bullying vai-se instalando, ninguém nasce com esta capacidade de abusar, intimidar ou dominar agressivamente outras pessoas. Os sinais de que algo está errado vão aparecendo e os alertas também, no entanto vamo-nos habituando e arranjando desculpas para os ignorar.

Queremos uma sociedade justa, equilibrada e compassiva num mundo que nos ensina, desde muito cedo, a usar juízos de valor e a separar as pessoas por grupos e categorias. Uma sociedade que expõe como vencedores modelos de pessoas que a empobrecem, ao utilizarem o poder para adquirirem ainda mais poder, servindo-se para isso de tudo e todos, sem se importarem de deixar um rasto de prejuízos nas pessoas e no planeta! Uma sociedade que condena quem denúncia os infratores, que transforma esses infratores em vítimas e legaliza os abusos e a corrupção para eternizar o sistema! 

Da mesma forma que criamos a ilusão do surgimento espontâneo dos problemas, também esperamos uma resolução milagrosa sem a nossa intervenção. 

No caso do bullying no Seixal, a mãe da adolescente agressora queixa-se que sofrem ameaças, alegando que a filha fará o que o tribunal decidir. O pai da vítima mostra a sua confiança na lei para que se faça justiça. 

O vídeo com o registo da agressão, mostra uma agressora apoiada por uma plateia participativa. Parece-me não ser apenas um problema entre dois adolescentes, mas sim entre um grupo de adolescentes sem compaixão e um adolescente sozinho e completamente desprotegido. A resolução do problema da ausência de compaixão e empatia por parte dos agressores e do problema da insegurança da vítima, requer mudanças que terão de ir para além do que a lei e o tribunal possam trazer.

Que sociedade teremos se não assumirmos a nossa responsabilidade e deixarmos tudo nas mãos da lei para construir o que é moralmente correto? Leis vazias de contexto, cegas da complexidade e da importância para a humanidade de cada situação, e sem o envolvimento de todos os que são necessários para a resolução das verdadeiras causas.

O bullying, o racismo, a xenofobia…, têm significados diferentes, mas todos nascem da falta de compaixão e empatia. E a ausência de compaixão e empatia não são problemas das crianças e dos jovens, essa ausência é um problema sistémico de uma sociedade competitiva por dinheiro e poder para dominar os outros. 

Queremos que as crianças e os jovens sejam o que nós adultos ainda não conseguimos ser! 

 A cada minuto, em todo mundo, quantos abusos e crimes são cometidos contra a humanidade por falta de compaixão e empatia? 

Queremos um mundo diferente, porém não queremos mudar, queremos que sejam os outros a fazê-lo. 

Estes problemas necessitam da atenção de todos de forma contínua, para que cada um de nós assuma o seu compromisso nas soluções, conscientes de que a nossa contribuição com a igual valorização de todas as vidas permite deixar cair o poder do domínio e elevar o poder da cooperação.

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#sociedadeportugal; #bullying; #compaixãoeempatia

Publicado por Hugo Barbosa

Empenhado em deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrei!

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