A Semana em voo picado: na semana da decisão, mais uma indecisão!

Foi na segunda-feira que as vozes de vários especialistas começaram a convergir na ideia de fazer de Agosto o mês do alívio nas restrições. 

Raquel Duarte, pneumologista, e uma das especialistas a quem o governo recorre para estabelecer os seus planos de desconfinamento, advoga que, sendo necessário que a vacinação continue e se associe a medidas comportamentais, é verdade que vivemos hoje um contexto diferente do vivido desde há alguns meses, e que, por isso mesmo, faz todo o sentido que sejam revistas as medidas em Agosto: “à medida que vamos tendo mais população vacinada podemos ir abrindo os setores económico, cultural e de lazer, mas mantendo medidas de proteção individual particularmente em espaços fechados”. (Raquel Duarte, Pneumologista em declarações ao Expresso)

Na mesma linha Bernardo Gomes, médico de saúde publica que ajudou a definir as linhas vermelhas da matriz de risco, reforça a importância das medidas de proteção individual como o uso correcto da máscara sobretudo em espaços fechados, mas concorda que se inicie o alívio das restrições durante este mesmo mês.

O mesmo especialista admite a possibilidade de se reverem as linhas vermelhas da matriz de risco: “A partir do momento em que há maior desconexão do número de casos e internamentos, faz sentido rever limiares” (Bernardo Gomes, Médico de Saúde Publica)

Do mesmo modo Margarida Gaspar, psicóloga e coordenadora da task force reforça que: “Não podemos ficar atolados na inércia. Temos de nos ajustar e ir mudando o chip com toda a prudência, passo a passo, usando na nossa proteção e na dos outros todos os instrumentos que temos”

Entretanto sabemos que, graças ao grande trabalho de todos os envolvidos no plano de vacinação, Portugal atinge os 50,5% da população com vacinação complecta e ultrapassa, mesmo, os Estados Unidos em vacinas administradas. Mais uma vez o meu muito obrigado ao Vice-Almirante Henrique Gouveia e Melo e a todos os envolvidos nesta grande tarefa!

E chegamos à tão esperada terça-feira dia da reunião com os especialistas na sede do Infarmed. Da reunião sai a afirmação de que o país não está em condições de avançar para um desconfinamento complecto mas que pode começar a reduzir as restrições com que vivemos actualmente. 

Assim, Raquel Duarte, explica que é necessário continuar a atender a seis pilares fundamentais: vacinação, testagem, distanciamento, higienizarão, uso de máscara e ventilação. Como proposta de trabalho foi apresentada uma proposta de alteração da matriz de risco, nomeadamente no que diz respeito à linha vermelha da incidência, que poderá ser actualizada para 480 casos por 100 mil habitantes em 14 dias, mas introduzindo um limite de 255 camas em unidades de cuidados intensivos.

A proposta parece-me equilibrada já que mantem os dois elementos centrais da matriz de risco, ajustados à nova situação pandémica, e introduz aspectos de gravidade clínica que, até aqui, não eram tidos em conta. 

De resto a o desconfinamento deverá ser feito em quatro níveis pelos quais devemos ir avançando com base na taxa de vacinação, sendo que, a passagem ao nível quatro poderá, mesmo, implicar o atingimento da tão falada imunidade de grupo. 

Ainda na terça-feira, a imprensa conta-nos que o Supremo Tribunal Espanhol terá condenado o Novo Banco a devolver um investimento feito num banco islandês a um antigo cliente do BES1. Na sentença este tribunal declara a nulidade da compra por parte do cliente, por incumprimento das obrigações de informação por parte do BES, condenando assim o Novo Banco, enquanto sucessor do BES, a restituir o montante em causa. Ora aqui está um excelente exemplo de como se devem tratar estas questões: através dos tribunais e acionando os responsáveis!… E não através dos governos e acionando o dinheiro dos contribuintes!… À atenção de muitos Portugueses que preferiram colocar-se às costas do estado!

Mas na quarta-feira o Novo Banco volta a ser notícia… com a aprovação do relatório final da comissão de inquérito às perdas registadas por esta instituição e imputadas ao fundo de resolução… E esta poderia ser, mesmo, uma boa noticia!… No entanto o dia acabou mais marcado pelas acusações entre deputados e bancadas parlamentares que pelo relatório propriamente dito. É caso para perguntar que se nem os partidos, responsáveis pelo documento, se entendem sobre a veracidade das suas conclusões como podemos nós confiar?

Entretanto é publicado um estudo, na Coreia do Sul, que sugere que a utilização de duas vacinas diferentes no esquema vacinal contra a COVID19 pode ser mais eficaz do que fazer as duas doses da mesma vacina. Segundo este estudo o número de anticorpos aumentou seis vezes em quem misturou as doses da AstraZeneca e da Pfizer quando comparado com aqueles que haviam feito as duas doses da vacina da AstraZeneca. Ainda assim não é possível extrapolar estes resultados para outras vacinas, ou para as mesmas em ordem inversa, já que a mistura das vacinas apresentou resultados semelhantes a quem recebeu as duas doses da vacina da Pfizer. 

Ainda na quarta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE) apresentou os primeiros resultados dos Censos 2021. Assim, ficamos a saber que Portugal tem hoje 10.347.892 residentes o que corresponde a uma perda de cerca de 214 mil, face aos últimos Censos de 2011. Este dado corresponde a uma inflexão na tendência de subida de população residente que se mantinha desde 1970.

Mas o dado que mais me preocupa é a crescente concentração das populações nos grandes centros, nomeadamente na faixa litoral e nas duas grandes áreas metropolitanas, e consequente desertificação do interior… Assim há 257 municípios a registarem decréscimos populacionais e apenas 51 com aumento de população. 

Mas se esta é uma realidade que me preocupa não posso dizer que a mesma me surpreenda… afinal as decisões políticas têm sido, quase sempre, no sentido de intensificar esta tendência e não de a contrariar!… 

Na quinta-feira destaque para a participação de Marcelo Rebelo de Sousa no programa Circulatura do Quadrado. 

Como era de esperar Marcelo esteve á altura do desafio… muito habituado às luzes e com um domínio absoluto das técnicas de comunicação televisiva, Marcelo deixou várias mensagens para o governo e para a oposição. Em primeiro lugar pediu acção ao governo, no que diz respeito á transição para o pós-pandemia pedindo um “novo discurso que não pode ser o do medo”… Em segundo lugar falou numa profunda crise social e no aumento das desigualdades, identificando-as como “a realidade mais preocupante a curto prazo”. De seguida falou do PRR e da necessidade de dirigir o investimento de forma correcta para as reformas estruturais necessárias. E por fim apelou à responsabilidade dos vários actores políticos, de modo a evitar cenários de ingovernabilidade, mencionando a ameaça do populismo como algo que deve preocupar aqueles que governam ou querem vir a governar no futuro.

Mas quinta-feira foi, também, dia de conselho de ministros e de decisões quanto às medidas de contenção da pandemia de COVID-19. No final da reunião o Governo deu, então, a conhecer o seu plano bastante alinhado com a proposta dos especialistas, mas com algumas diferenças pontuais. Desde logo, uma diferença no número de fases a serem seguidas, com o governo a optar por um plano de 3 fases em vez das 4 propostas pelos especialistas.

Photo by Forest Simon on Unsplash

Assim, a fase 1, que arrancou quando temos 57% da população com vacinação complecta, inclui o fim da limitação horária de circulação na via pública, a autorização dos espetáculos culturais até 66% da lotação, casamentos e baptizados com lotação de 50%, a abertura de equipamentos de diversão, segundo regras da DGS, e em locais autorizados pelos municípios, a reabertura dos bares segundo as mesmas regras aplicadas para a restauração e o fim da obrigatoriedade do teletrabalho, que passa a ser recomendado. 

A fase 2, prevista para 5 de setembro uma vez ultrapassada uma cobertura vacinal de 70%, inclui o fim da obrigatoriedade do uso de máscara na via publica, os casamentos e baptizados passam a ser autorizados até 75% de lotação, a mesma percentagem que passará a ser permitida para espetáculos culturais. Ainda nesta fase, os transportes públicos deixam de ter limite de lotação, os serviços públicos deixam de estar sujeitos a marcação prévia. Continuam, no entanto, fechadas as discotecas e as festas populares.

Por fim, a fase 3, está prevista para outubro quando atingirmos os 85% de cobertura vacinal complecta (a tão almejada imunidade de grupo), corresponde ao fim dos limites de lotação e à abertura das discotecas com certificado digital ou teste negativo.

Resumindo, se tudo correr bem, em outubro temos uma quase normalidade… espero que sim!

Sexta-feira marca um momento histórico para o desporto nacional: Neemias Queta, um jovem de 22 anos formado no Barreirense, é escolhido pelos Sacramento Kings, tornando-se o primeiro atleta português a ascender à NBA! É obra!… Parabéns, miúdo!

Ainda na sexta-feira a DGS anunciou uma recomendação para que os jovens dos 12 aos 15 anos com comorbilidades, sejam considerados prioritários para receberem a vacina contra a COVID-19, numa decisão que não reúne o consenso dos especialistas que se dividem entre os que pensam não ser prudente avançar para a vacinação de todos os jovens e os que entendem que a vacinação desta faixa etária é importante para atingirmos a imunidade de grupo assim como para permitir um regresso ás aulas mais tranquilo. 

Ficamos assim com uma decisão que não é carne nem peixe… aguardam-se desenvolvimentos!

Já no sábado, Marcelo Rebelo de Sousa, defende que a decisão da DGS de tornar prioritária a vacinação de jovens que tenham comorbilidades não impede que os restantes jovens possam também receber a vacina, caso os pais assim o decidam. Só que… a DGS… acabou por não demorar muito a contrariar Marcelo, explicando que será sempre necessária a “indicação médica”!…

Não sei se entenderam! É que eu não entendi nada!… o que quer a DGS dizer com “indicação Médica”? Sob que critérios?… Sob os critérios da EMA que aprovou as vacinas?… ou sob os critérios da DGS que se mostra titubeante em relação à mesma aprovação?

Não creio que se deva tornar obrigatória a vacinação nestas faixas etárias… mas a versão de Marcelo parecia-me bastante razoável… manter como prioritários os jovens que apresentam níveis de risco mais elevados e deixar ao critério dos pais para os restantes jovens!… 

Exige-se um pouco mais de claridade por parte das autoridades de saúde!

No domingo mais um feito enorme para o desporto nacional com Patrícia Mamona a conquistar a medalha de prata no triplo salto dos Jogos Olímpicos Tóquio2020. Tendo em conta as diferenças de condições quer de treino, quer remuneratórias, quer de estrutura de apoio, entre atletas portugueses e outros atletas de países desenvolvidos, este feito é ainda mais impressionante. Parabéns, Patrícia Mamona… e, obrigado por nos lembrares que o sucesso é possívelapesar dos pesares!

No que diz respeito aos números da pandemia a semana fecha com uma incidência de cerca 419 casos por 100 mil habitantes e um índice de transmissibilidade de 0,98! Ou seja, continuamos com um nível de infectados acima do desejável, mas parece que estamos a atingir o pico e que as próximas semanas podem ser de diminuição da incidência!… Assim saibamos ter um comportamento que o permita!

Uma boa semana para todos

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#SemanaEmVooPicado; #PoliticaPortugal; #ActualidadePolitica; #SociedadePortugal; #DemocraciaParticipativa

  1. https://www.google.pt/amp/s/observador.pt/2021/07/27/supremo-tribunal-espanhol-diz-que-novo-banco-tem-de-devolver-investimento-em-banco-islandes-a-cliente-do-bes/amp/
  2. https://covid19.min-saude.pt/wp-content/uploads/2021/08/517_DGS_boletim_20210801.pdf

Publicado por Hugo Barbosa

Empenhado em deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrei!

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