Autor Convidado: Jaime Pires

A aprendizagem ao longo da vida

Tenho 48 anos e uma formação de base em Informática de Gestão, complementada com cursos e certificações em áreas profissionalmente relacionadas. Comecei a minha carreira profissional aos 18 anos e desde então tenho tido a oportunidade de gerir projectos e programas de inovação tecnológica em empresas de vários sectores, mas principalmente na Indústria Farmacêutica .

Ao longo da minha vida, pessoal e profissional, tenho tido a felicidade de poder aprender com alguns dos melhores, sejam amigos, professores ou colegas.

Acredito que a aprendizagem ao longo da vida pode ser muito mais do que um simples lugar comum. É seguramente, um meio que permite a um individuo, ou a um colectivo, evoluir e estar melhor preparado para enfrentar novos desafios. A educação e o conhecimento são a base da evolução das sociedades. Mas mais do que aprender sobre um assunto, acredito que é importante aprender a pensar, aprender a questionar sem receios, e claro, aprender a dizer “não sei”. 

Transportando esta ideia para a realidade de Portugal, num contexto de pós-pandemia, é fundamental a criação de condições para que cada individuo possa decidir aprender, saber e conhecer mais. 

Precisamos de um investimento claro em disseminação de conhecimento cientifico e tecnológico como forma de transformar sectores como por exemplo a agricultura, as florestas e as pescas, e que este investimento se traduza numa concreta melhoria das condições de vida das pessoas que neles trabalham.

Precisamos de introduzir o conceito de aprendizagem contínua, de poder avaliar em cada momento os resultados, adaptar os processos e fomentar a melhoria contínua. E precisamos de fazer tudo isto de forma rápida por duas razões: 1 – porque este pacote financeiro da União Europeia não ilimitado nem nos montantes nem no prazo; 2 – mas fundamentalmente, porque precisamos de resultados práticos na melhoria das condições de vida das pessoas. 

Arrisco-me a dizer que esta é a oportunidade para iniciar uma transformação social e cultural, talvez apenas  semelhante à transformação que aconteceu no final da Idade Média, inicio do Renascimento, e que abriu Portugal ao mundo. Foi a disseminação do conhecimento ciêntifico que permitiu a epopeia dos Descobrimentos e o consequente desenvolvimento económico de Portugal.

Agora, tal como na época, é o conhecimento que permite não só impulsionar o crescimento económico, mas também combater a ignorância e todos aqueles que se aproveitam dos derivados da ignorância como o medo, as crenças e as frustrações, para establecer uma agenda própria que nos poderá conduzir a novos desastres e conflitos de proporções cada vez maiores.
Finalmente, é o conhecimento que nos ajuda a sair do estado de permanente “guerra das trincheiras” em que parece viver a opinião pública. É necessario desafiar as doutrinas.

Já dizia o Padre António Vieira que “para um homem se ver a si mesmo, são necessárias três coisas: olhos, espelho e luz.”1 O espelho é a doutrina, que pode ser desafiada ou vista de vários ângulos ou em vários formatos. A luz é a graça de Deus, ou numa interpretação menos teológica, é a liberdade para ver. Na ausência de qualquer luz, não se pode ver. Os olhos são o conhecimento, a capacidade de ver e de pensar. 

Também eu estou a fazer esse exercicio de auto-observação. Na realidade, estou a alargar o leque de conhecimento como forma de ter outras opções e outras oportunidades agora que entro no último terço da minha carreira profissional. 

Há dois anos decidi regressar à Universidade para estudar Estudos Europeus com o objectivo de aprender mais sobre a construção europeia, compreender melhor os desafios e os sucessos, aprender mais sobre Ciência Política e relações internacionais. 

Sei que esta motivação tem pouco a ver com as actividades que tenho desenvolvido ao longo da minha carreira de 30 anos. 

Talvez, a verdadeira motivação seja mesmo a (secreta) esperança de ainda ir a tempo de poder contribuir, de alguma forma, para a tão necessária melhoria da construção europeia, para uma União Europeia que responda melhor às necessidades das gerações futuras.

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#AprendizagemAoLongoDaVida; #SociedadePortugal; #DemocraciaParticipativa; #InternationalCareers

1 Padre António Vieira – Sermões, Book Cover editora (2020), p. 13

Publicado por Hugo Barbosa

Empenhado em deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrei!

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