Autor Convidado: Pedro Fogollin

Photo by alevision.co on Unsplash

“Vamos para fora?”

Começo este artigo em jeito de pergunta, uma pergunta que mesmo após ter dado o ok na minha empresa nunca deixou de estar presente na minha cabeça durante todos estes anos.

No meu caso bastou um telefonema para iniciar uma aventura internacional. Se tivesse dado a resposta que me ocorreu imediatamente depois d’ “A pergunta” poderia resumir a minha aventura internacional a um simples telefonema:

“Hi Pedro! How are you, would you like to go and start working abroad?… No.”

Felizmente passados 4 anos “and counting” este nao foi o meu caso. 

Presentemente vivemos em Milão, Itália (para os mais distraídos) com os nossos três filhos, 4, 6 e 9 e até ver não temos planos para regressar. Já aprendemos que indepentemente da quantidade de planos que se faça o mais certo é não serem cumpridos. Passo a explicar…

Lembro-me que tínhamos acabado de mudar de casa em Lisboa (para uma casa maior), o nosso terceiro filho ainda tinha menos de um ano, para os outros dois já ponderávamos como ia ser a “grande mudança da creche para o colégio”.

Hoje em dia dá vontade rir só de pensar. Tínhamos até tido o cuidado de os inscrever no colégio em que os filhos dos nossos amigos também andavam… Enfim, tudo para lhes podermos dar a maior estabilidade possível visto que a mudança da creche onde sempre andaram para um colégio grande parecia um passo de gigante… Repito, até dá vontade rir…

Não é que estivéssemos à procura de uma nova aventura, somos ambos de Lisboa, vivíamos em Lisboa, as nossas famílias de Lisboa, os nossos amigos os de sempre, não estávamos mal financeiramente, ambos trabalhávamos… Então porque raio fomos mudar de pais? 

Ainda hoje não temos a resposta. Só o que sei é que bastou um telefonema numa manhã de Abril em 2018…

Lembro-me de começar um dia normal, acabado de cumprimentar os meus colegas do escritório, ainda não tinha entrado no meu gabinete já estava a atender o telefone de uma colega do departamento de RH na Holanda. Achei estranho mas, como sempre, cumprimentei-a calorosamente desconhecendo o porquê de estar a receber aquele telefonema. Ao começarmos a falar de oportunidades em Amesterdão automaticamente comecei a perfilar pessoas da minha equipa que pudesse recomendar. Quão longe estava do objectivo daquele telefonema. Após uns 7 minutos de conversa (os holandeses são muito precisos) ao começar a perceber que o teor daquela conversa tinha um propósito diferente daquele que eu esperava chegamos à pergunta: “Would you like to come and start work with us here in Amsterdam?”. Todo o meu sistema nervoso me dizia: “responde já que não”, mantive a calma e perguntei sem responder à questão inicial: “Seria para começar quando?” ao que me respondem: “Next month”… Caiu-me tudo, pensei mesmo em dizer que estavam malucos mas, após respirar fundo, disse: “Não estou interessado, obrigado”.

Desliguei o telefone, os nervos e a adrenalina percorriam-me o corpo a uma velocidade que me deixava estupefacto, teria tomado a atitude correcta? Se calhar não devia ter desligado logo e feito mais algumas perguntas. Fiz a única coisa que me restava fazer, fui ter com a minha chefe, General Manager em Portugal e disse-lhe o que tinha acontecido. Felizmente mandou me pensar melhor e falar com eles outra vez. Foi o que fiz, assumi que nunca tinha pensado em “ir para fora” e que nem tinha sido algo que tivéssemos falado em casa. Disseram-me para ter “a conversa” e que precisavam da resposta amanhã… Amanhã, yeah right… Foi mesmo assim, para grande surpresa minha a ideia foi bem aceite por todos em casa e no dia a seguir, nada seguro da “minha” escolha liguei para Amesterdão a dizer “Let’s go”. Esta talvez seja a versão mais simplista, lógico que antes de me comprometer a 100 por cento quis saber de condições. Muita gente tem a percepção errada de que ir de carreira internacional é igual a assinar um contrato da Liga dos Campeões. Desenganem-se, claro que não é mau porque para pior nunca se muda, mas com certeza que não começamos a ter vida de jogador de futebol só porque estamos no estrangeiro (nem nós queríamos isso). 

Ainda hoje não temos a certeza se foi a melhor opção, até acho que nunca saberemos. 

O que sabemos é que, o que temos vivido em família, as experiências que temos proporcionado aos nossos filhos, a minha filha que tem agora 4 anos, já viveu em três países diferentes… Tem claramente valido a pena. 

Neste momento vamos no nosso segundo país e caso se proporcione gostaríamos de continuar esta aventura familiar por mais uns tempos. 

Saber que podemos sempre voltar para Portugal, não por causa de qualquer incentivo fiscal, mas pelas saudades que possamos ter da nossa “terra” e da nossa vida antes da mudança faz com que a decisão de partir não seja tão dura.

Até agora tudo tem corrido bem e não nos arrependemos das escolhas que temos feito mesmo estando a nossa filha mais nova a falar um português que de português tem muito pouco.  Uma verdadeira emigrante. Mas isso ainda lhe dá mais graça.

O conselho que dou a quem me pergunta se vale a pena mudar a família a minha resposta é, depende da família. Não é para todos mudar de país, sair da zona de conforto, assistir ao medo inicial da nossa família ao saberem que temos de mudar novamente de país. O que se ganha de ultrapassarmos todos estes desafios em conjunto compensa muito mais do que qualquer barreira ou desafio que cruzam o nosso caminho.

A ideia da “minha carreira” deixou automaticamente de existir e passou a ser a “nossa carreira” e o que isso tem de mágico contrabalança com a responsabilidade de fazermos a escolha certa.

Tenho a sorte de estar a trabalhar para uma empresa que percebe este conceito e que é sensível ao tema da mudança da família. 

Não sou eu que estou a fazer carreira internacional, somos NÓS que estamos numa carreira internacional. Só sabe quem faz. Aproveitem a oportunidade.

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#SociedadePortugal; #InternationalCareer; #VidasSemFronteiras; #Emigrar

Publicado por Hugo Barbosa

Empenhado em deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrei!

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