Autor Convidado: Cláudia Bernardino Bernardo

Quando o Estimado Hugo , por quem tenho imensa admiração e amizade, me convidou a escrever sobre a minha paixão pela Medicina Geral e Familiar, não hesitei. 

Photo by Online Marketing on Unsplash

Tinha 3anos e dizia que queria ser Médica. 
No interior, para alcançar médias competitivas era preciso dedicação a tempo inteiro. Ainda hoje não me arrependo de tudo que abdiquei para alcançar o meu sonho.

Apenas no quinto ano tive a certeza que queria ser Médica de Família. 
Terminado o curso e, porque acontecimentos de vida também condicionam as escolhas, fui para o Porto! 

Vivo e trabalho no Porto há 18 anos. 
Tirei a minha especialidade de uma forma consciente, mas louca e surrealista. 

Comecei a fazer privada no 1º ano de especialidade porque só assim perdia a vergonha de falar com os utentes, só assim ganhava aptidões para sozinha responder à solicitação e, a vontade de saber cada vez mais era enorme. 

Durante quatro anos trabalhei 100h por semana. Quis aprender e passar pelo maior número de especialidades possíveis, quis passar por um centro de diálise, quis fazer MT, e trabalhei um currículo imenso e vasto. 
A maior aprendizagem foi com todos aqueles utentes que passaram por mim. 

O desafio era dar resposta e, se não estava a ser capaz na hora, sabia que uma semana mais tarde teria a resposta. Desengane se quem acha que sabe tudo. 

Ser médica de família é ser médica dos 0 aos sem limite anos; é vigiar grávidas; é fazer consultas de saúde infantil; é fazer planeamento familiar; é vigiar HTA e DM; é a saúde de adultos …. Mas também é a resposta ao domicílio dos dependentes. Também é a gestão dos conflitos familiares, também é a psiquiatra e a psicologia. 

E é este conjunto de um todo que me conquistou e conquista diariamente, e me motiva cada dia a ser melhor. 

Faço clínica no público e privada. Infelizmente nos dias atuais, a relação médico doente nos privados está distante, e é muito diferente. 
Por isso, embarquei em trabalhar numa clínica mais pequena onde nos regemos pela qualidade, experiência e juventude. Com o objetivo de num grande centro fazer renascer o espírito do médico de família de há 30 anos. De mala na mão vai a casa, ou está ao telefone acessível ou está na clínica. 

Todos os dias trabalho com a mesma paixão e entrega. Indiferente aos ruídos exteriores, mas como meta o meu utente que acima de tudo é um ser Humano, uma pessoa com sentimentos e com opiniões. 

A pandemia ao contrário, de que todos esperávamos não mudou o espírito da sociedade, no sentido de maior Humanismo, espírito de entre ajuda, amizade e VALOR PELA VIDA. 

Infelizmente senti na pele (graças à infeção pelo Covid) que, a vida é como um rio que corre e, de repente pode parar…. e, acabou… nada feito. 

Mudou a minha forma de estar na vida pessoal, mas ainda reforçou mais o meu papel na vida dos meus utentes, para lhes mostrar que qualquer que seja o desafio de vida nós somos mais fortes e, somos capazes de mudar o rumo e direção. 

Eu trabalho a saúde física, mental e social, mas sem reforço positivo aos utentes não tenho resultados.

Nada mais gratificante ver as ações até hoje praticadas com sucesso. 

Claro, que nem tudo é floreado; há noites sem dormir a pensar em determinados casos clínicos e até por mortes inesperadas. 

Após estes anos digo com toda a certeza e convicção: 

EU NASCI PARA SER MÉDICA DE FAMÍLIA E ESTE É, O MEU LEGADO DE VIDA. 

Faço-o com amor, paixão e entrega diariamente mesmo quando por dentro não esteja bem, porque sou também um ser humano.

Mas também sou uma pessoa que procuro sempre mais, mais no sentido de puder usar a minha voz e, a minha experiência para alterar o que está menos bem na sociedade e, mais propriamente no SNS.

Sempre primeiro o utente, o meu utente… os meus imensos utentes. 
No público ou privado sem distinção. 

Olho para trás e já passaram 15 anos!!!! 
E, tudo muito intenso, porque junto com carreira profissional, juntam se etapas pessoais e familiares. Tudo está conectado e, como mãe e a profissional consigo no presente viver em pleno. 

Pós doença Covid aprendi uma grande lição: viver um dia de cada vez, olhar tudo como uma nova oportunidade ou simplesmente uma oportunidade para melhorar, ter paciência comigo própria, acreditar na minha capacidade e definir o mapa do caminho a travar. 

Deixar simplesmente fluir…. 
Deixar o coração falar, porque o que faço é com muita paixão.

Gostou do que leu? Então, ajude-me a crescer seguindo este Blog e partilhando nas redes sociais!

#SociedadePortugal; #FemaleLeadership; #MedicalCareer; #MedicinaGeraleFamiliar

Publicado por Hugo Barbosa

Empenhado em deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrei!

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