Autor Convidado: Mafalda Pereira

O que leva uma jovem, em início de vida familiar e profissional, a abraçar o voluntariado?

Quando o Hugo me lançou este desafio, a primeira coisa que pensei, sendo certo que aceitaria, foi qual a forma que escolheria de apresentar este tema aos leitores. Percebi apenas que queria algo que fizesse o leitor sentir que é possível. Sim, é possível que também tu o consigas fazer!

Portanto, para que se perceba a importância da temática para mim, importa contar um pouco da minha história. A vida é um inconstante ciclo, em que se podem incorporar diferentes ciclos. Sou a última de quatro filhos, a mais nova, aquela que deveria ter uma diferença mais significativa de mentalidade, proximidade, posicionamento face àquele que era a pensamento dos meus pais e irmãos, bem como da sociedade em geral. Ser a filha mais nova com uma diferença entre 12 e 17 anos para os meus irmãos, fez toda a diferença na minha vida. Logo aqui, o contexto e momento em que nasci, ditou toda uma série de fatores influenciadores daquilo que sou hoje. Desde a forma de falar, pensar, vestir, atuar, até ao mais pequeno detalhe que valorizo. Logo aí cresci num ambiente que me permitiu perceber que teria uma oportunidade, não melhor nem pior que os outros, mas simplesmente diferente. E considero que muito daquilo que faz toda a diferença na vida, tem que ver com percebermos que nem sempre há melhor, ou pior, por vezes há apenas um diferente que não tem um peso qualitativo, mas significativo. Desde nova, tive um interesse pelos outros, pela oportunidade de saber que talvez pudesse fazer a diferença na vida de alguém. Não pensando num contexto amoroso, mas social, ainda que com tudo que qualquer um dos campos acarrete, acabando por não distinguir ambos. Acabei por sentir que deverias fazer a diferença na pessoa que amas, nos pais e irmãos que te acompanham, nos teus amigos, no vizinho do lado, companheiro de trabalho ou na sociedade em geral. Neste sentido, qualquer que fosse o ciclo que estivesse a viver, este desafio era constante em mim: contribuir para felicidade dos outros. E é com esta atipicidade de tempos, pessoas e atitudes que o meu “eu” se foi construindo. 

E é engaçado que da mesma forma que partilho convosco o impacto que a diferença no contexto familiar fez em mim, de todo invalida aquilo que depois é a minha capacidade de procura, descoberta, desafio constante, correr atrás, considerar que “nada é impossível até acontecer”. Já num contexto universitário, desafio-me após período de Erasmus, primeira vez a viver fora da casa habitual, do conforto e da facilidade, a ingressar no movimento escutista, movimento que considero que me transmitiu, num curto período de tempo e da forma mais intensa possível, aquilo que o significado de voluntariado tem para mim.

Descobri no Escutismo muito mais do que um Movimento que contribui para o desenvolvimento integral de uma criança/ jovem. Até que na verdade acabei por estudar um pouco a fundo este Movimento. Há cerca de dois anos, decidi investir na minha formação e desenvolvimento e voltei a estudar. Frequentei o Mestrado em Gestão de Recursos Humanos entre 2019 e 2021, na Universidade do Minho. No momento de dissertação, enveredei por estudar a afetação que a identidade social, utilizando o contexto do movimento escutista, poderá ter depois no dia a dia profissional do indivíduo. E é muito interessante esta dualidade que o Escutismo nos apresenta. Se por um lado, sinto que tive uma imensidão de oportunidades que me estavam disponíveis para usufruir, aproveitar e crescer, quando se ingressa no movimento, existe um contributo para aquilo que é a nossa formação e construção de valores, para a forma de estar ativa na sociedade, sermos o melhor de nós mesmos e na prática, um voluntário da comunidade. Contudo, depois de receberes tudo isto, também te tornas voluntário dentro do movimento, e dás esta educação a outros jovens. Para além de te contagiarem para estas práticas, também tu te tornas capaz de contagiar os outros.

Descobri uma potencialidade para aquilo que é o mundo de oportunidades que a vida nos dá a cada segundo. E isto realmente importa, porque na verdade é o que fazemos com cada segundo que conta e constrói o ciclo que tu decides viver. Não tenho mais tempo que os outros, nem mais capacidade, nem mais inteligência, nem mais conhecimento. Sinto que consigo aproveitar bem cada segundo, cada desafio, cada problema, cada solução, cada momento. E é isso que faz com que no fim de tudo, de todos os dias, sinta que o dia não teve 24 horas. Porque o tempo nunca conseguirá ter imensidão suficiente para medir o impacto daquilo que tu fazes. A forma como aproveitas o tempo é só um acaso propositado, ou não, daquilo que vives no momento, de quem te acompanha, dos desafios que aceitas ou crias, das pessoas que permites ou não que entrem nesse teu ciclo. 

Isto tudo, para que me conhecessem um pouco nesta perspetiva e em que medida acredito que o voluntariado talvez sempre tenha feito parte da minha vida. Já quando dava catequese ou pertencia ao grupo de jovens, já quando me envolvia nas coisas da freguesia e da política. Mas e há tempo? Frequentei o Mestrado Integrado em Engenharia e Gestão Industrial, na Universidade do Minho, entre 2010 e 2015. Já trabalho há seis anos numa consultora numa área tecnológica para recursos humanos. Como já mencionei previamente, há cerca de dois anos, decidi que era altura de investir em mim para ser capaz de investir ainda mais nos outros frequentando o Mestrado em Gestão de Recursos Humanos. Será que isto não é, igualmente, voluntariado? Este aprofundar de conhecimento permite-me a mim crescer e ser capaz de ganhar mais conhecimento para saber gerir pessoas, lidar com diferentes personalidades, saber motivar e incentivar quem comigo trabalha, bem como ser mais compreensiva, escutar os outros, respeitar diferentes opiniões e ter capacidade de adaptação. Poderia enumerar um rol de benefícios que sei que o voluntariado, nomeadamente no Escutismo, nos vai incutindo para nos fortalecer noutros contextos, como o profissional. Mas, talvez tão importante quanto isso, não posso descurar o impacto que também teve e continua a ter ao nível pessoal. Casei-me há cinco meses… Sou completamente apaixonada por este homem e pela vida. Mas quando ele me conheceu, eu já era assim e sempre fui, e é, o primeiro a dizer-me “vai”. Mas tu não precisas que te diga vai, tu só precisas que te diga “estou contigo neste teu caminho”. E é esta felicidade, este entender com os olhos, este companheirismo, que te faz ter a certeza que moves no sentido certo. E como há tempo? E como continuas a conseguir? E como continuas a querer? Porque o voluntariado é algo que se dá, sem se esperar algo em troca… Mas, no fundo, bem no fundo, tu sentes quando ele surte efeito… em ti, nos que te rodeiam, nos que não conheces e se tornam amigos, nos amigos que se tornam família. E é esta experiência, este desafio constante, esta felicidade em contribuir para a felicidade dos outros, que me faz abraçar o voluntariado a cada dia… 

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#SociedadePortugal; #AutoresConvidados; #FemaleLeadership; #Voluntariado

Publicado por Hugo Barbosa

Empenhado em deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrei!

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