Autor Convidado: Sandra Lopes Guerreiro

O novo normal

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Resiliência. Se tivesse que me descrever numa única palavra, seria esta. Para que eu desista de algo em que acredito, é necessário muito. Mas mesmo muito!

Respondendo ao amável convite do Hugo, espero com a minha história, contribuir para a ideia de que o mundo mudou, e que a mudança começa em nós. Que as empresas (e pessoas) acreditem que a localização já não é um aspeto essencial e condicionante; que o trabalho remoto é algo que se aprende, e com resultados tão bons ou melhores que o trabalho presencial. 

Em 2018 iniciei uma função global, a partir de Portugal. Algo menos comum na altura, um mundo pré-COVID, em que na minha organização existia a convicção absoluta de que as funções globais deviam estar na sede da companhia.

Antes de 2018, já tinha recusado convites da organização para funções Globais, por as mesmas implicarem mudança de país, o que na altura não equacionava, por motivos pessoais. Apesar dos muitos argumentos e vantagens que apresentei, compreendi que precisamos de dar tempo às organizações para evoluírem as suas perspetivas e convicções.

Fiquei muito feliz quando finalmente consegui contagiar outros com um novo conceito de “mobilidade”. E afinal, ia trabalhar com o mundo inteiro, desde o Canadá até à Austrália… que diferença fazia se estava em Portugal ou na Suiça?

O que eu não imaginava é que os desafios iam ser tão grandes e tão difíceis….

A minha casa passou a ser também o meu escritório, e curiosamente este foi o primeiro desafio! 

Que aprendi eu? 

Que é muito mais importante gerir a energia que o tempo ou as tarefas. O trabalho em casa, sem interrupções externas, pode ser muito “produtivo” (exaustivo!), e ao início chegava a ter dores de estômago e de costas, porque imaginem… estava há 6 horas sentada ao computador, sem intervalos! Passei a colocar breaks recorrentes na minha agenda, garantindo as pausas e o tempo para almoço, que considerava tão importantes como qualquer outra reunião. Comigo, funcionava muito bem misturar o tempo pessoal com profissional: por exemplo, começar o dia com o Japão (sou madrugadora), fazer pausa para o pequeno-almoço com a família, para voltar ao trabalho após lhes desejar um dia feliz. Caminhava no jardim em frente a casa (e avisava os colegas de que o estava a fazer), enquanto participava em reuniões sem necessidade de rever documentos. E o melhor de tudo, ao final da tarde estava disponível para brincar com os meus filhos, que chegavam da escola cheíssimos de energia!

Aprendi, the hard way, que as culturas dos países têm uma influência gigante na forma como trabalhamos e abordamos os assuntos. Se fosse hoje, teria pedido uma formação/ intercâmbio sobre o tema, antes de começar a função global.

Aprendi que com equipas motivadas e alinhadas com o propósito certo, podemos mover montanhas, mesmo à distância!

Na minha posição global liderava cerca de 60 pessoas em regime matricial, o que quer dizer que todas as pessoas tinham uma função e um manager principal, reportando-me uma percentagem do seu tempo (20 a 50%), logo, um desafio adicional. Foi por isso fundamental definir muito bem o propósito e a missão da nossa equipa, comunicá-la de forma recorrente e criativa, envolver os stakeholders certos, e dar visibilidade às pessoas e aos sucessos que fomos conseguindo.

Dizendo assim até parece fácil… Mas não foi. De todo…

Pediam-nos que mudássemos a forma de trabalhar em fábricas e afiliadas em todo o mundo, que fizéssemos uma mudança de processo, de sistemas, cultural e de mindset, que gerássemos eficiências de 30%. Algo já tentado no passado, por colegas experientes, e não conseguido.

Ainda me recordo… pediam-me que fizesse um workshop apenas 3 semanas depois de começar, onde juntaria as funções “inimigas”, para chegar a um consenso sobre o futuro processo To Be. Eu, inocente, sugeri que três semanas era pouco, e pedi mais uma semana… (loucura! 😉

Nos dias anteriores ao workshop, não conseguia comer nem dormir, com a pressão que sentia com o resultado esperado do evento, e com a “guerra” prevista no decorrer do mesmo. Foi a meditação que me salvou nesta altura. Ao meditar percebi que apenas era esperado que desse o meu melhor na preparação e facilitação do workshop, todo o restante eram expectativas da minha cabeça. Na verdade, a meditação tem sido uma ferramenta poderosa e extremamente útil na minha vida pessoal e profissional, e posso fazê-la em qualquer lado e a qualquer hora.

Foi um evento muito importante: começámos a construir uma boa equipa nesse workshop de dois dias, continuámos a nutri-la com comunicações honestas, segmentadas, frequentes. Definimos papéis e responsabilidades claros, o respeito e o reconhecimento faziam parte do nosso dia-a-dia, todos tiveram oportunidades de visibilidade e reconhecimento, criámos um ambiente de confiança, e claro, incluímos diversão no trabalho. Fizemos alianças estratégicas com genuína intenção. Lembro-me de ter lido e de ter pesquisado muito sobre como construir e gerir verdadeiras equipas à distância.

Ganhámos vários prémios, fomos reconhecidos como best practice em inúmeras ocasiões, e em dois anos implementámos uma mudança (movimento) cultural e processual, que continuou nos anos seguintes.

Tudo isto, liderado a partir de Portugal, com o contributo precioso de uma equipa espalhada pelo mundo.

Hoje, devido ao COVID, muitos de nós experimentámos o trabalho à distância, e o mundo nunca mais será o mesmo. O trabalho remoto tem muitas vantagens, especialmente se conseguirmos descobrir o que funciona melhor para nós. 

Acredito verdadeiramente no Power of One, ou seja, que cada um de nós pode ajudar a mudar o mundo. 

Acredito que o propósito, a comunicação e a resiliência são os ingredientes secretos 🙂

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SociedadePortugal; #FemaleLeadership; #NewNormal; #RemoteWorking; #InternationalCareers

Publicado por Hugo Barbosa

Empenhado em deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrei!

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