Autor Convidado: Sofia Pires

Como assim emigrar para o Brasil?

“Como assim emigrar para o Brasil?”
Foi o que ouvi muitas vezes e não julgo, provavelmente se um amigo me dissesse que iria emigrar para o Brasil eu faria a mesma questão e com o mesmo olhar de questionamento sobre a sanidade mental da pessoa em questão.

Sim o Brasil! E passado mais de 1 ano voltaria a afirmar, sim o Brasil!

Há muito mais no Brasil do que se possa imaginar, o Brasil não se resume às praias paradisíacas e à Amazónia. O Brasil não se resume a carnaval e ao futebol. O Brasil não se resume a caipirinhas e feijão com arroz. O Brasil é mais do que samba e Caetano Veloso. O Brasil não se limita ao preconceito de país subdesenvolvido. O Brasil é mais que Lula e Bolsonaro (mas eles ainda não sabem disto!). O Brasil tem mais para dar e mostrar ao mundo!

Santos – Brasil

Neste país todos carregam uma história maior que a da sua própria árvore genealógica.
 “A minha mãe é origem italiana e o meu pai é origem alemã”, “O meu avô é japonês e a minha avó é portuguesa”, “A minha mãe é baiana e o meu pai é gaúcho”. 
Tudo aqui se mistura… os sotaques, as culturas, as histórias, as religiões, as etnias, a gastronomia. O Brasil é rico em história, tanto da formação do próprio país como da história dos próprios brasileiros. Sabemos claramente a nossa marca na história do Brasil e portanto existem muitos descendentes de portugueses, mas não estamos sozinhos; a maior comunidade japonesa fora do Japão é no Brasil; em São Paulo cerca de 32,5% da população é descendente de italianos (e há estados em que essa % sobe); os descendentes de alemães, espanhóis e africanos são também em grande número. Os caminhos que trouxeram essas pessoas ao Brasil, ou mesmo a migração dos brasileiros dentro do Brasil, são sempre partes da história menos felizes – colonização, escravatura, fim da I Guerra Mundial, ditadura, fuga ao ultra-mar, fome – são histórias de superação, tendo isso tanto de belo como de trágico! E assim é Brasil.

Há muitos anos atrás (não sonhávamos vir para o Brasil) conhecemos um Portugal um casal, ele português e ela brasileira, e em conversa sobre a experiência dele ter vivido no Brasil ele disse uma coisa que nunca mais esqueci e agora ecoa em algumas situações na minha cabeça, algo como: “Temos muito a aprender com os brasileiros, nós portugueses somos muito stressados, ansiosos, pessimistas, vemos problemas onde eles não existem e não acreditamos que as coisas vão correr bem. Os brasileiros não se stressam, mas no final as coisas aparecem feitas e correm bem.” E é muito isso… temos muito a aprender com os brasileiros em muitas situações. A leveza deles é impressionante, a forma de encarar o dia-a-dia e a vida. A vida no Brasil pode ser bem dura, não é um mar de rosas para a maioria das pessoas, vê-se coisas muito chocantes mas… a leveza é uma característica deles. Eles acreditam mesmo que as coisas vão sempre dar certo, uma crença inabalável que vai para além da religião, a positividade é uma característica inerente ao brasileiro. A própria postura corporal é diferente, numa mesma situação desagradável se perguntarem a um português como vão as coisas a resposta passará por encolher os ombros e dizer “vamos indo”, um brasileiro provavelmente vai endireitar as costas (ou estabelecer contacto físico com um toque no ombro) e responder “estamos aí na luta, vamos que vamos”! Já frequentei cursos de empreendorismo com pessoas entre os 60~70 anos, sim pessoas que podiam estar em casa a cuidar dos netos e estavam ali a querer mais para si próprias e para os seus negócios. Recentemente estive numa festa em que grande parte eram pessoas mais velhas, média de idade deveria estar entre os 70~75 anos, dançaram desde Frank Sinatra, a Village People, Tim Maia, Gloria Gaynor mas dançaram dançaram dançaram… horas! Em Portugal é obrigatório depois dos 70 anos uma constante queixa nas costas, dos joelhos, do colesterol? Ainda não descobrimos como travar as mudanças fisiológicas associadas à passagem do tempo, e não acredito que as pessoas na festa não tenham as mesmas queixas que os portugueses porque afinal o tempo passa e pesa no corpo, seja no Brasil ou em Portugal, mas aquelas pessoas estavam na festa e dançaram como se o tempo não pesasse em seus corpos! A leveza! Temos muito a aprender com os brasileiros!

A mudança não é apenas de morada, de cidade, de País, de continente, de horizonte… a mudança acontece principalmente dentro de nós.
Julgava-me uma pessoa muito ‘open mind’ mas descobri que havia muito mais por vir! O Brasil totalmente uma nova realidade sobre muitos aspectos. Aqui falam de feminismo de uma forma que em Portugal não se aborda e prematuramente julguei que estavam muito à frente que nós nesse aspecto mas o tempo fez-me entender que o feminismo que se fala em Portugal é por parâmetros de igualdade, aqui é por necessidade! Fiquei super encantada com o empreendorismo brasileiro, eles vendem tudo em qualquer lado (pessoas a venderem batatas-fritas e águas nas filas dos pórticos da autoestrada?! Como se lembraram disto!) tem o seu encanto mas… é por necessidade! Tornei-me uma pessoa muito mais empática, julgo muito menos o outro porque existem aqui histórias que nem o melhor filme dramático pode alcançar. São realidades muito distintas entre si (porque existem pessoas muito muito ricas e pessoas muito muito pobres) e muito diferentes para nós europeus.

Não sei se ficarei no Brasil por mais 2 anos ou por mais 20 anos, mas sei que o Brasil não sairá mais de mim! E ainda não vivi o Brasil na sua plenitude (covid!) mas o brasileiro é resiliente, não verga, não desiste, o brasileiro é coração, é emoção, não é razão (razão eles deviam aprender um bocadinho com os portugueses), o brasileiro é quente (de frio só tem a caipirinha e o açaí), o brasileiro anda descalço e deita-se no chão (a primeira vez que vi uma pessoa classe media-alta deitada na cerâmica pensei que tivesse desmaiado, mas estava só a dormir… ali no chão, apesar de ter uma cama a uns degraus de distância! Ainda me mete muita confusão, confesso!), o brasileiro é lutador, é superação, o brasileiro ainda está em construção, o brasileiro sabe que o caminho é para a frente seja lá onde for chegar! 

O brasileiro é um adolescente que falta às aulas de matemática para ir jogar à bola e depois não sabe gerir a mesada; não foi votar mas reclama do governo; não arruma o quarto mas se a mãe lhe prometer R$ 5 o quarto aparece arrumado; perde horas nas redes sociais mas não lê uma página de um livro; não lê as notícias do dia mas sabe tudo sobre os participantes do Big Brother; não estuda para o teste e reclama da nota; o brasileiro acha que sabe tudo mas não sabe que a palha italiana é um doce brasileiro e não italiano; o brasileiro não aprender com os erros; o brasileiro vende o almoço para pagar o jantar; o brasileiro vive só para o hoje e para o agora. O brasileiro é um adolescente cativante e simpático, que todos queremos ter por perto, mas imaturo!

O melhor do Brasil é o brasileiro, mas também o pior do Brasil é o brasileiro.
O Brasil não é um mar de rosas, mas é um mar com um tesouro enterrado.
O Brasil é de extremos, mas esses extremos têm mais pontos em comum do que o que os separa.
No Brasil as coisas ou são verdes ou são amarelas, e ainda não enxergaram o esverdeado (desculpem, mas não consegui escrever preto e branco – não combina com o Brasil).
O Brasil tem uma educação pública de baixa qualidade, mas tem profissionais de referência pelo mundo fora em diferentes áreas.
O Brasil é futebol, mas venceram 21 medalhas nos últimos Jogos Olímpicos.
O Brasil diz ‘escravatura nunca mais’, mas casais que ganham $R 15.000 pagam à empregada doméstica menos de R$ 1.000 (que é babysitter, emprega de limpeza, cozinheira, Dog walker, etc…).
O Brasil tem uma grande % de pessoas no limiar da pobreza, mas perguntem a um brasileiro se ama o seu País? Ele com certeza dirá que sim!
O Brasil as conquistas são na base da luta e da resiliência, e ama cada um dos seus heróis!
O Brasil é um País, mas de dimensão continental.
O Brasil é imperfeito, mas é de verdade!
O Brasil é desigual e injusto.
O Brasil é muito maior que os nossos preconceitos!

Gostou do que leu? Então, ajude-me a crescer seguindo este Blog e partilhando nas redes sociais!

E Visite também o Blog da Sofia: “Uma Portuguesa no Brasil

SociedadePortugal; #FemaleLeadership; #DiasporaPortuguesa; #Brasil

Publicado por Hugo Barbosa

Empenhado em deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrei!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: