Autor Convidado: Ana Mendonça

Novas Oportunidades ao Virar da Esquina

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Se faz como muito de nós, e à meia noite de 2021-2022, teve 12 desejos na lista e comeu 12 passas: será que incluiu a “passa” da transição de carreira com a saída de um emprego estável? A oportunidade pode estar ao virar da esquina?

O tempo passa a correr e parece que com esta nova realidade da pandemia, que nos deixa em suspense em alguns momentos, ainda passa mais rápido. Quando estamos em modo de sobrevivência o importante é aguentar, mas importa estarmos atentos ao que está a acontecer à nossa volta e não deixar escapar oportunidades.

Esta nova realidade veio para ficar, e depois destes longos meses a RE – readaptar, reaprender, reformular, reestruturar, reconstruir e reinventar há algo que já não vai mudar. As novas formas de trabalhar, interagir e comunicar vieram para ficar e passaram a ser o novo normal. 

Alguns perderam os seus trabalhos, outros viram os seus negócios fechados, a globalização veio trazer novos concorrentes e mercados e outros tiveram burnouts e o próprio corpo obrigou à sua paragem. 

O último parágrafo pode ter provocado um arrepio e até mesmo uma pequena tristeza, mas vamos refazê-lo:

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Alguns viram uma porta fechar, mas logo algumas janelas se abriram!  Quando um negócio fechou por imposição, alguns descobriram uma nova paixão e criaram o negócio dos seus sonhos, há tanto adiado! A globalização veio trazer um mundo de oportunidades e o online agilizou outras formas de negócio e por fim alguns foram diagnosticados com burnouts, neste caso o nosso corpo aqui é implacável e obriga-nos mesmo a parar para descansar, recarregar baterias, passear, ler e tornarmo-nos mais fortes para o futuro. 

E agora? Parece mais positivo? E estamos a falar exatamente dos mesmos pontos, mas olhando de forma diferente.

Quando falei com o Hugo, pediu-me para falar sobre o Outplacement de forma descomplicada. Palavra cada vez mais presente no nosso quotidiano, fruto de muitas reestruturações de empresas e consequente perda do “posto de trabalho” que para alguns acreditavam ser para o resto da vida.

Antes de partilhar a minha visão, deixo uma definição do conceito Outplacement (https://conceito.de/outplacement“é um conceito de uso habitual no âmbito das empresas, mais precisamente no sector dos recursos humanos. A noção refere-se a uma série de procedimentos que uma empresa põe em prática para prestar assistência a um empregado que fica sem trabalho depois de uma reestruturação. A finalidade do outplacement é facilitar a reinserção da pessoa em questão no mercado laboral (do trabalho). Deste modo, o empregado pode conseguir um novo trabalho de maneira mais rápida, e a empresa não vê afectada a sua imagem por possíveis comentários negativos do indivíduo que ficou desempregado.”

Este é um termo que me acompanha nos últimos 20 anos da minha vida profissional, pois desde sempre houve pessoas que perderam empregos e procuravam alternativas e faz parte do ciclo normal da vida profissional de todos. Mas algures no tempo surgiram empresas especializadas neste tema e cujo objetivo é única e exclusivamente apoiar as pessoas neste processo.

O primeiro mito sobre o outplacement é que este “serviço” irá, como passe de magia, encontrar alternativa ao lugar perdido. E já está! 

O objetivo é esse, mas trabalhando com a pessoa no processo e no sentido de se autoconhecer. 

Perceber o seu CV mais do que o “papel” que enviamos com o resumo das nossas experiências para as oportunidades que surgem.

Constroem, em parceria um discurso bem definido para a entrevista, por forma a que se consiga destacar os pontos fortes das várias experiências passadas e perceber como potenciar os pontos a desenvolver como futuras oportunidades de aprendizagem.

Mas ajudam igualmente a trabalhar o processo. Sim, existe um processo depois de um momento como aquele em que perdemos o emprego. E que é importante passar por ele. No final do texto deixarei nota sobre esse processo, caso tenham curiosidade*.

O segundo mito sobre o outplacement é que, se não me arranjam emprego, então não preciso.

            É sempre importante passarmos por momentos menos positivos acompanhados, e acima de tudo acompanhados por pessoas que nos irão ajudar a ultrapassar as etapas, mas acima de tudo que entendam pelo que estamos a passar. Cada pessoa tem a sua forma de ultrapassar os vários desafios com que se deparam, mas é universal o sentimento que impera nestas alturas (Porque me aconteceu a mim? Não é justo, dei sempre tanto e é esta a retribuição que recebo! O que vão pensar as pessoas de mim? Estou desempregado!! Vou encontrar emprego? Quando?).

            Os nossos familiares e amigos podem ajudar, mas também eles estão a processar a informação e mesmo que queiram dar os melhores conselhos, às vezes não sabem como dizer e magoam. Não que queiram, mas porque não sabendo o processo e porque também estão a sentir a vossa dor. Ao longo do processo vão dizendo, umas vezes as palavras acertadas, outras as mais erradas e que podem ser devastadoras (então, novidades? Ainda nada? Que tens feito? Tens que enviar CV para todos os lados! Vai às empresas, liga a amigos e pede! Tanto tempo e nada? Estranho, deves estar a fazer algo errado. Tens que arranjar, qualquer coisa serve! Tens é que começar a ganhar dinheiro, parado não dá). Alguns exemplos, mas que acontecem e que podem ser devastadores porque trazem a carga não só do que é dito como da pessoa que o diz.

            Alguém de fora, que não nos conhece, mas que quer o nosso bem, vai ajudar no processo, vai dar as dicas importantes, mandar fazer tarefas difíceis, exigir e pedir retorno e com estas pessoas nós não nos importamos. Aliás até podemos chorar e dizer o que nos vai na alma, porque são como “padres num confessionário” o que se passa ali, fica ali. Estão numa missão conjunta, ajudar a arranjar uma nova oportunidade.

Haverá mais mitos ou mais que mitos, dúvidas. Mas estes talvez sejam os mais comuns e sobre os quais queria falar. Se outros houver estarei cá para falar sobre eles. Enviem-me os vossos e terei todo o gosto em desmistificar.

Se inicias o ano com um desafio destes, não te preocupes, há um processo e tudo vai correr bem. Pode demorar mais ou menos tempo, mas vai correr bem. Importante é trabalhares as etapas, deixares que as mesmas sejam percebidas por ti próprio e depois tudo começará a fazer sentido.

Voltamos ao pedido das passas: encontrar um novo trabalho!

Para que tal aconteça parem para pensar efetivamente o que querem ou sentem que faria sentido, apontem e vão lendo para refletir e para que passe a fazer parte, da vossa retórica, no dia a dia e de retórica passará mais facilmente de um sonho – para a criação de um plano – que consequentemente se tornará realidade.

Bom ano e sigam os sonhos para serem felizes! Lembrem-se da passa mastigada. Boa sorte!

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#SociedadePortugal; #FemaleLeadership; #CareerPlanning; #OutPlacement

* Como prometido, um breve resumo do processo depois de uma notícia menos boa:

Convém perceber que uma mudança ou notícia menos boa (não uso a palavra negativa pois esta palavra leva logo a um sentimento menos positivo) significa uma mudança brusca na perspetiva de futuro. Todos temos uma trajetória definida, e é o que todos os dias nos leva a levantar da cama para o seguir. Mesmo que infelizes ou descontentes, em modo piloto automático ou simplesmente seguindo.

Uma alteração deste “trilho” provoca uma alteração e provoca desde logo um choque inicial. 

Até à sua aceitação há um caminho!! 

O choque inicial faz com que muitas pessoas paralisem ao receber a notícia, ficam sem poder de reação, sem saber como atuar, o que fazer e para onde se virar.  Em sequência ao choque inicial surge a negação desta notícia, e neste momento as pessoas negam a sua existência e congelam podendo inclusivamente optar por não fazer nada e apenas ficar sossegados à espera que passe, ou que fosse um “pesadelo do qual irão acordar” (sentido figurado). Posteriormente surge a raiva, quando não é possível negar mais o que aconteceu, e temos que assumir. A raiva, muitas vezes, pode ser dirigida aos outros e pode surgir sob a forma de várias reações do tipo luta-ou-fuga: Atacamos a pessoa ou entidade específica que originou a situação ou dirigimo-la ao “mundo” ou a toda a sociedade.

Reconhecer a perda da noção do futuro anteriormente planeado e dar-se conta que o que tínhamos planeado como expectativa de futuro já não mais será possível, leva aos passos seguintes – “Luto” pela alternativa de futuro planeada que reconhecidamente já não será o nosso plano, ao entendimento da possibilidade de que existem outras alternativas e uma nova perspetiva de futuro e aceitação.

Esta fase permite uma perspetiva de enfrentar a situação perante si mesmo e em relação aos outros e reagir, agora é possível abordar esta nova realidade de forma estratégica, ou seja, maximizando o benefício do sucedido, minimizando os riscos e impactos do seu acontecimento e assim reiniciar um novo processo de encara, agir e seguir em frente. 

A trajetória de uma pessoa ao longo das diferentes fases de entendimento de uma situação destas pode gerar sentimentos variados no tempo e na intensidade com que são vividos. Não é por acaso que costumamos dizer, que depois da “tempestade vem a bonança”, depois de enfrentarmos um desafio normalmente acontece algo mágico e um crescimento pessoal e autoconhecimento extraordinário acontece.

Publicado por Hugo Barbosa

Empenhado em deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrei!

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