Autor Convidado: Miguel Gaio Victória

Saí do meu país por opção própria… 

Antes de mais, obrigado Hugo pelo convite. Sendo eu um leitor deste blog, jamais pensei que um dia estaria aqui a falar sobre mim, ainda para mais pelo muito que tenho a apreender, quando me comparo com alguns dos teus convidados.

Costumo dizer que sou o resultado de duas paixões: os negócios e a missão de servir os outros. 

Por um lado, os negócios derivam de quando era mais novo – durante as férias de verão, costumava ir trabalhar com a minha família e, com eles, aprendi o que é antecipar e nutrir as relações com os nossos clientes. 

Por outro lado, a missão de servir os outros e o gosto de contribuir para a comunidade que, desde muito cedo, me foi incutida pela mão dos meus pais – inicialmente como escuteiro e, mais tarde, com o associativismo jovem como representante de alunos na assembleia escolar, membro da associação de estudantes ou até mesmo como voluntario em projetos com sem abrigo em Strasbourg ou com crianças no Brasil e Estados Unidos. 

Creio que esses foram os grandes alicerces, em conjunto com a minha curiosidade em querer ir para fora, para que me pudesse continuar a desenvolver, quer profissionalmente, quer como ser humano.

Por ter esse gosto em poder ajudar os outros, entrei em enfermagem, mas nem tudo foi fácil: para poder estudar, tive que trabalhar. 

Inicialmente comecei num McDonalds, passando pela Starbucks e acabando no Barclays Bank. 

Por causa do gosto pela liderança e negócios, delineei um plano: ir para fora fazer um mestrado em Business/management. Aproveitei o facto de poder fazer Erasmus para ver se Dinamarca seria um bom país para estudar e viver, mas, embora me tenha apaixonado pelo país, a escuridão e o frio que se faz sentir no inverno por terras vikings, aliado ao elevado custo de vida, fez com que abandonasse a ideia. 

Escolhi, então, Inglaterra e, mais propriamente, uma cidade costeira onde poderia aprimorar o meu inglês, tirar a carta de vela/marinheiro e entrar numa escola de topo. 

Fiz parte daqueles grupos de remessa de enfermeiros que inundaram o sistema inglês. Enquanto muitos dos meus colegas foram por não conseguirem encontrar trabalho em Portugal, eu fui aliciado por uma experiência no estrangeiro e pela aventura de poder estudar nas melhores Universidades.

Em Inglaterra, fui confrontado com uma realidade bastante diferente: percebi que, caso demonstrássemos desejo de aprender e de evoluir, as oportunidades apareceriam. Para espanto meu, ganhei o prémio de melhor empregado do mês e, passados três meses após ter começado a trabalhar em Inglaterra, fui escolhido entre mais de 3000 profissionais no hospital onde trabalhava. 

Este prémio abriu-me a possibilidade de estar em contacto com a administração do meu hospital, o que fez com que criasse uma relação de “mentorship” com alguns deles. 

Mais tarde, tive oportunidade de começar a minha primeira posição de liderança. Entrei para a equipa de operações hospitalares, onde desempenhava a função de “gestor de camas”, ou seja, identificava e resolvia os possíveis bloqueios surgentes das atividades hospitalares. Foi das posições mais exigentes e difíceis que alguma vez tive. Por causa da experiência aí desenvolvida, surgiu a possibilidade de gerir um pequeno serviço e, mais tarde, como coordenador, pude liderar uma equipa multidisciplinar que providenciava serviços médicos em casa dos pacientes.

Quando a minha esposa me conheceu – e já em Inglaterra -, sempre me ouviu falar do meu desejo de ter vindo para o Reino Unido com o intuito de melhorar o meu percurso académico. Passados sete anos, e com esse objetivo sempre em mente, chegou a altura em que já não fazia sentido adiar mais a minha candidatura a uma universidade. 

Digo “adiar” porque, inconscientemente, tinha medo em falhar a candidatura, também pelos custos financeiros que isso acartaria. Entre o medo de falhar ou ficar a pensar para o resto da minha vida como teria sido se me tivesse candidatado a um mestrado, decidi fazer um MBA e envergar para o desconhecido de recomeçar tudo de novo. 

Tinha uma carreira estável em Inglaterra e, com um MBA na mão, as oportunidades não tardariam em surgir. No entanto, a vontade da minha esposa em querer ir para a Suíça, onde já tinha vivido durante a sua infância, e lá desenvolver-se pessoal e profissionalmente, (fez com que redefinisse os meus objetivos e juntos traçássemos um plano. Mesmo que esta decisão significasse para mim ter de recomeçar tudo do zero). 

Considero que muitas das minhas conquistas se devem ao apoio incondicional da minha esposa e, agora, seria a minha vez de apoiar a sua carreira, e o seu desejo, de ir para terras helvéticas. 

Já conhecia a Suíça, era um país que admirava bastante e, além do mais, é onde as maiores farmacêuticas europeias se encontram. Embora as minhas oportunidades profissionais após o término do meu MBA fossem elevadas no Reino Unido, creio que só teria a ganhar com a opção de seguir para a Suíça pelo objetivo de fazer uma transição para a indústria. 

Enquanto fiquei a fazer o meu MBA na Warwick Business School, a minha esposa foi para Heidelberg, na Alemanha, fazer um curso intensivo de alemão e, assim, preparar se para a sua transição para a Suíça. 

Estando os dois como estudantes e a lutar por um projeto comum como o de recomeçar num novo país, crescemos em união e o desejo de conseguir vingar tornou-se ainda mais apetecível. 

A decisão da minha vinda para a Suíça, embora tenha sido bastante racional, sempre tomou em conta que a transição de uma carreira mais “clínica” e hospitalar para a indústria (farmacêutica) não seria fácil. Pois bem, não tem sido mesmo nada fácil, mas como sempre me foquei no meu/nosso objetivo final, creio que em breve irei conseguir almejá-lo. 

Até lá, continuarei a fazer uns projetos de consultaria para uma biotech inglesa, que neste momento está a desenvolver uma nova vacina para o cancro.

Em tudo e em cada passo, acho que o que nos move é a esperança de conseguir algo melhor – e é por ela que seguimos e prosseguimos com a nossa missão. 

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#SociedadePortugal; #Emigrar; #Crescer; #Explorar

Publicado por Hugo Barbosa

Empenhado em deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrei!

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