Autor Convidado: Marta Soares

TEXTOS SOLTOS…MEMORIAS SOLTAS … MAS REFLECTIDAS E BEM ENCADEADAS NA MINHA VIDA!

HOJE, DIA DO PAI… E ASSIM DESBLOQUEIO INÉRCIA EM “FALAR” COM ELE

BUIKA, numa das suas músicas diz que a Tristeza é a morte lenta das coisas simples. Essas coisas simples que ficam a doer no coração…

Sempre absorvi e me alimentei do que me rodeia, e aprendi que o AMOR é simples… E que são essas simples coisas, que são devoradas pelo tempo….

Na escrita procuro a solução de as evitar perder. E, também, de perder mais. Mais daquilo que faz sentido e me conferiu personalidade… E igualmente encontro a tal felicidade, que ocorre quando percepciono que transformei o peso da perda em boas e replicáveis memórias, que surgem de forma simples e crio as minhas simples e pequenas coisas.

Apelidaram meu pai de Perna-Longa, mas tal conotação está longe de o descrever na sua essência. Essa essência, ao alcance de poucos e que, desnecessariamente lutava por esconder… Uma vez deixou escapar… e aconteceu comigo… Mas, desenganem-se, pois não foi consciente…apenas esqueceu que tinha um espelho retrovisor, enquanto o levava ao hospital…

Agora mesmo, enquanto escrevo, fecho os olhos e estou a dançar em cima dos teus pés Pai!! Um cha cha cha, Cachito (de mama e de papá)

Fecho este capítulo com alma mais leve e escrevo o que guardo…Lamento…aquilo que sabes, morreste sozinho, mas sei que já inconsciente, tiveste intervenção…esperaste que me ausentasse por momentos…. Mauuuu. Mas continuei, como dizias, ”sempre en frent“(francês?????)

Fazes-me muita falta, mas faço de tudo para que te orgulhes de mim.

AVÓ MARTA 

Espero que esteja a fazer pão de ló e aproveite para tomar a cevada, que tanto aprecia, com pão… 

Sobre a testa, pousa a mão e solta um aii.

Ai Nina, que não tenho vagar… o que responderia a uma das minhas muitas requisições…

Entretanto vai ao quintal. Uma mão nas costas, na zona da cintura, e a outra segura o prato da próxima missão… bsssh bssh bichaninho!!! E uma dezena aparece à sua volta…   

Na cozinha já se sente cheiro. E qual é esse cheiro? Olha, cheira a uma espécie de cura para todos os males… pois cheira a: 

Comida fantástica 

A café

A bolo 

A cera laranja 

E antes, de chegarmos a porta de saída… cheira a amor, pelo sorriso genuíno e terno que matava qualquer mal… até o do seu cansaço 

E não é que de lá não nos apetecia sair????

Nina, vai pões-me a mesa? Pedia com uma voz trémula, pois seria sua a missão!! E eu vou cheia de orgulho… até que ela chega à sala, fecha os lábios, até se conter, e muito firme diz: Não é assim: “tende-se” a toalha, o pão, água e o vinho. Só depois pões o resto. Oh Vó!!! Cala-te, que eu é que sei!!!… 

E hoje, a Super Marta, 4ª na linhagem, evoca, com convicção e factos, o poderoso “Eu é que sei”, mas ainda sem saber… como é possível que da cozinha, ela soubesse qual a ordem que institui a por a mesa… estava lá tudo, diabos!!! Sim… a doçura e sabedoria andam juntas

Legado… 

Por vezes questiono a origem da minha sensibilidade… por vezes, descontrolada, outras puramente depurativa e, a mais revoltante, a que não consigo controlar e origina a frustração de não conter a essência, que deveria ser somente partilhada com meu núcleo…

Com ele aprendi a interpretar gestos, rotinas, sentido de família e que por detrás de pequenas expressões existia um coração enorme!

A felicidade e orgulho que, mesmo não demonstrados, obteve em ensinar-me a assobiar de forma estridente!

A provocação em molhar um palito no vinho e dar/me a provar… arrependeu-se no dia em que, insatisfeita, o dedo entrou no copo!

O outro assobio que ainda hoje não consigo reproduzir, e que ainda entoa na minha memória! 

Vai-te amolar! Anda lá, anda lá! Cocó, Ranheta e Facada! 

As regras e respeito surgiam de forma natural, irrefutáveis e com todo o prazer de quem amava e conquistou um lugar no seu coração, traduzido no privilégio em sentar-se ao seu colo, com desculpa de arrancar os poucos cabelos brancos que tinha… sim, se fossem muitos não teria oportunidade!

Sem qualquer dúvida o medo e tristeza revelaram-se quando pela primeira vez fez uma ode à família e verbalizou o que guardava no seu coração… esqueceu-se, certamente, de voltar a fechar às 7 chaves no seu lugar… pouco tempo depois partiu… deixou enorme vazio e a confirmação do meu maior medo desde criança..  pela primeira vez senti a maior dor e tristeza… todos trouxeram cravos e a minha revolta ganhou força

não obstante, ficou a imensa saudade e valorização do um privilégio de ser amada por ele.  

Ainda hoje fecho os olhos e lá está ele sentado no muro do jardim a aguardar a nossa chegada.

—— 

TONECA: Vai-te amolar!

A propósito de data de aniversário do meu avô 

Vai-te amolar e espera por mim no jardim. 

Senta-te  na tua lage 

E irradia a tua paz 

Anda lá, anda lá que estou a chegar!!!

Parabéns Toneca

——

Para minha avó… a menina que está na foto!

21.Fev… que, para mim, foi ontem! Ano da avó, ano do pai .. teve a felicidade de não ver o filho partir..:

A minha felicidade está no nome, no privilégio de ser sua neta… and so on! 

Doce Maria Marta, Os Smashing Pumpkins devem ter partilhado o teu pão-de-ló!!

(vídeos de the smashing pumpkins for martha)

Os 70 da minha mãe

Conforto de mãe, conforto no dia! Sabedoria! Epítome dos 70…. ao alcance de poucos! 

PARABÉNS MÃE Maria Soares! Espero que “nuvem” não tenha passado no teu dia! ❤️

Para meu sogro

Este ano o meu Pai terá mais um membro na ceia de Natal… que receberá de braços abertos e com o seu entusiasmo que sempre o assistiram.

Saberá consolar… saberá ouvir, talvez roubar um sorriso, mas sem nunca lembrar o excelente legado do Sr. Aurelio Costa! ‘

Mais tarde, muito revoltados mandarão a COVID-19 “dar uma volta”!

Foi um prazer 

conhecê-lo, 

cuidar de si, 

fazê-lo sorrir (até estar farto de me aturar…) 

admirar sua postura, educação (mesmo quando o Alzheimer o traía e se preocupava em não ofender alguém que partilhava refeição consigo) e que, para mim, culminam em exemplo de distinção!

Privilegiada por fazer parte da sua família… e grata pelo filho que gerou e que honrarei como esposa e nora!

Vá em Paz e descansado! Por cá faremos, ambos, o nosso “trabalho”!

Casamento de grande amiga, ao qual não compareci por COVIDices!

Minha “Startlight” 😉 

Só mesmo um factor COVID-19 para nos separar…

Hoje deveríamos inverter papéis na fotografia!

Estarei contigo longe, mas naquele “perto” que nos une! 

Tal como dizes o universo tem destas coisas! 

COVID deita-te e traz-me um café! (Esta só nós vamos perceber) 

Sê feliz!

P.S.: Este teu convite, Hugo, não podia ser mais oportuno, pois concretizou a possibilidade de efectivar projectos, que quase nunca passam de embrionários… E no 2º processo de despedimento colectivo onde procuro, forçosamente, encontrar um rumo,  tu tornaste possível a vontade escondida de escrever e tornar publica a minha herança, e, assim, ganha forma. E este contexto faz todo o sentido, pela tua personalidade, pelo profissional que sempre admirei e que se sempre me fazia sentir desafiada em provocar  uma gargalhada… Tive de sair da minha “bolha” para perceber que és a pessoa que solta a gargalhada mais silenciosa no universo… Missão cumprida! Consegui provocar isso algumas vezes, nas quais a gargalhada estridente surgia logo de seguida… Obviamente, a minha!!! E ninguém percebia o que acabava de acontecer.

Gostou do que leu? Então, ajude-me a crescer seguindo este Blog e partilhando nas redes sociais!

#SociedadePortugal #Family #Love #Femaleleadership

Publicado por Hugo Barbosa

Empenhado em deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrei!

4 opiniões sobre “Autor Convidado: Marta Soares

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