Autor Convidado: André Correia

Transformação digital é isso mesmo…transformação

Transformação digital não é simplesmente adotar tecnologia. É algo muito mais profundo.

Sou muito curioso em relação a tecnologias emergentes, nomeadamente, inteligência artificial, internet das coisas (IoT), robótica de processos e algoritmos (RPA) e tudo aquilo que permita alavancar a transformação digital na sociedade, quer seja no sector público quer seja no privado. No entanto, tecnologia é apenas uma parte de uma equação complexa, à qual se juntam pessoas e processos.

Photo by Giu Vicente on Unsplash

Considero que o mais importante da transformação digital é o resultado final, ou seja, o impacto que esta tem na nossa vida e naquilo que nos rodeia. 

Por exemplo, o poder de combinar vastas bases de dados, com inteligência artificial e predictive analytics, na sequenciação genómica, para detetar precocemente doença raras. Este tipo de tecnologia torna projetos como o 100,000 Genomes Project uma realidade, que tem um impacto muito direto na vida de muitas famílias, munindo-as de informação vital para melhorar a sua qualidade de vida ou dos seus familiares.

Outra exemplo é a aceleração que a aprendizagem automática (machine learning) e aprendizagem profunda (deep learning) trouxeram durante a situação pandémica que atravessamos, nomeadamente, na identificação das áreas geográficas de atuação ou dos grupos de risco considerados prioritários para vacinação.

É este impacto do cruzamento entre o digital e a saúde que me fascina e dá energia. 

Note-se que transformação digital não é simplesmente adotar tecnologia. É algo muito mais profundo. 

A transformação digital tem de ser pensada como uma transformação cultural

A criação de uma simples aplicação de smartphone pode revolucionar uma empresa e transformá-la tal como o pode fazer um investimento de milhões de euros num sistema de ponta. Qualquer um deles pode, também, produzir um efeito nulo. Tudo depende das necessidades, das pessoas e dos processos que suportam essa jornada.

Claro que a tecnologia é fundamental, mas ao contrário do que muitas vezes oiço e leio, não transforma as empresas nem as sociedades, sobretudo na área da saúde. Os recursos humanos têm de ser formados e os processos devem suportar a utilização da tecnologia (sendo a componente legal e governamental muito importante e um catalisadorcrítico para o sucesso das organizações). 

Há que garantir que estamos todos, enquanto sociedade, a caminhar na mesma direção e ao mesmo ritmo. Ou seja, temos que minimizar o efeito bolha em que nós, que lidamos com a tecnologia no dia-a-dia, vivemos. Esta não é a realidade de todo o país.

E no nosso país, ainda existe um desequilíbrio muito grande. Por exemplo, Portugal tem um parque tecnológico bastante avançado, mas não existe investimento suficiente na digitalização nem na literacia digital.

Quando falamos de saúde, queremos tanto que seja fácil a marcação de uma consulta online no sistema nacional de saúde, mas depois temos toda a burocracia que conhecemos (e que efetivamente, criamos). Não estou a sugerir que tudo seja feito online! Temos que considerar que há quem se sinta menos à vontade em utilizar esses meios ou não tenha acesso a tal. Contudo, transformar uma empresa ou país, deve ser simplificado e tem de se considerar toda a equação.

Como referido no artigo da Harvard Business ReviewDigital Transformation Is About Talent, Not Technology, se não houver quem utilize a tecnologia, adotando (e adaptando) os processos, a transformação digital simplesmente não acontece.

E não nos podemos esquecer que neste momento estão, pelo menos, 5 gerações no mercado de trabalho a co-criar valor. Todas completamente diferentes e a utilizar as ferramentas (digitais e analógicas) de formas completamente diferentes. Não é fácil gerir esta situação.

Todos temos de contribuir e trabalhar em conjunto. Os empregadores têm de investir mais, os empregados têm de provar que merecem esse investimento, e ambos têm de colaborar para esse conhecimento ser posto em prática e criar novas oportunidades para as organizações e para os indivíduos. O papel governamental é também fulcral para o sucesso do todo.

Estamos a falar de uma grande mudança comportamental e cultural, que demora tempo a implementar.

Mas vale a pena. E vale também a pena aproveitar esta aceleração que vivemos atualmente para, por exemplo, levar a capacidade produtiva e centros de decisão para o interior do país. Com uma descentralização do poder de decisão, conseguiremos criar as infraestruturas necessárias para atrair profissionais de saúde, professores, comerciantes, e outras categorias profissionais que permitiriam um desenvolvimento mais uniforme do nosso país. Isto ajuda-nos também a quebrar as barreiras da literacia digital entre várias partes da população. E isto é possível com a colaboração de todos.

Esta é a verdadeira transformação digital

Este é o impacto que me fascina e que, juntamente, com o Daniel Guedelha, abordamos no Podcast Cruzamento, onde entrevistamos personalidades na área do digital e da saúde, que partilham connosco e com os nossos ouvintes, casos reais de transformação digital.

 #SociedadePortugal; #AutoresConvidados; #DigitalTransformation; #PodcastCruzamento

Publicado por Hugo Barbosa

Empenhado em deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrei!

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